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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Antídoto para a violência

746- O assassínio é um crime aos olhos de Deus? - Sim, um grande crime, pois aquele que tira a vida a um semelhante, interrompe uma vida de expiação ou de missão, e nisso está o mal.

(O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)

As histórias e os dramas motivados pela violência são muitos e acontecem com uma freqüência cada vez maior. Pode-se dizer que a violência está em todo lugar e não tem fronteiras pois que diariamente os meios de comunicação nos informam de lamentáveis acontecimentos ao redor do planeta e até daqueles bem próximos de nossas moradas.

Por toda a mídia, rádios, TVs, jornais, revistas e Internet, os crimes são mostrados numa seqüência alucinada de assaltos, seqüestros, estupros, assassinatos e chacinas não apenas com o intuito de informar mas, sobretudo, com a finalidade de faturar cada vez mais. A desculpa que nos dão é que eles têm que informar a população e, desta forma, os acontecimentos são ampliados e explorados de forma irresponsável. Será que nunca acontecem coisas boas e construtivas ou falta capacidade para encontrá-las?

O fato é que a violência, e todos os desdobramentos nefastos derivados dela, mostrados ininterruptamente dia e noite, virou coisa corriqueira. Isso me lembra uma história contada por um amigo há alguns anos.

Foi nos meados dos anos 1980. Esse amigo tinha parentes morando no Líbano, no tempo da guerra, naquele caldeirão insano que era Beirute, a capital, e todos lutavam contra todos, onde balas de metralhadoras e morteiros partiam do chão, enquanto bombas e foguetes partiam de aviões e navios. As imagens que nos chegavam eram, como são ainda hoje em qualquer guerra, de morte, desespero e aflição, casas e prédios destruídos aleatoriamente...Um dia, tendo a oportunidade de encontrarem-se no Brasil, indagados sobre a vida aflitiva que levavam em Beirute e porque não se mudavam de lá, responderam: -- Não nos incomodamos mais. Já estamos acostumados com tudo aquilo.

Poderíamos analisar essa extraordinária capacidade de adaptação com que Deus moldou o Ser Humano através das inúmeras reencarnações, porém, agora nosso intuito é outro, e também podemos afirmar que nos acostumamos com a violência que enfrentamos no Brasil. Estamos tão acostumados à ela, que até nos pegamos rindo de programas humorísticos onde a violência é o tema de alguns quadros. Nos pegamos até rindo de lamentáveis situações familiares expostos ao ridículo por programas que mostram "aquilo que o povo quer ver".

Por se tratar de um conceito adquirido através da Evolução, em todas as épocas e em todas as culturas, da mais rudimentar até a mais sofisticada, sempre se respeitou e ensinou através da Religião e dos diferentes sistemas Filosóficos, ser a Vida o "maior bem" que possui o Ser Humano. Embora o conceito de preservação da Vida esteja gravado em nossas mentes, esse bombardeamento vulgar e incessante da violência está banalizando e "adormecendo" esse sentimento de "valor supremo" que a Vida tem.

É irônico, numa época em que se quer preservar da extinção a Vida de animais e plantas, que torcer por um time de futebol, discussão no trânsito e a falta de pagamento - e até falta de troco - de Um Real (certamente os leitores devem saber de motivos ainda mais triviais e ridículos) seja a causa de assassinatos e dramas diversos que poderão durar várias encarnações com desdobramentos que certamente dificultarão nossa caminhada até os Planos de Luz.

As causas apontadas são as mais diversas. A miséria é uma delas mas a violência também está nas camadas econômicas mais altas. A degradação moral porque passa a atual civilização, raras vezes citada, talvez seja o componente mais forte desse conjunto de fatores que nos levam a atos tão tresloucados.

Enquanto não fizer parte do coração de cada Ser Humano a máxima ensinada por Jesus de "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" teremos, por muito tempo ainda, grandes fatos a lamentar.

Por ora, para amenizar essa onda negativa que nos envolve e afastar também os arautos da destruição, e do pessimismo, podemos fazer um pacto íntimo contra o "baixo-astral". Comecemos por não assistir, e não ouvir, programas que tratem de violência, ridicularizem ou aviltem o Ser Humano; da mesma forma, fiquemos sem ler as matérias policiais de jornais e revistas, pois não fazem nenhuma falta; ao passar por um acidente, vamos manter a mente em oração afastando, assim, aquela curiosidade mórbida que se regozija com o quanto pior melhor; se formos vítimas de assalto, manter a calma, não reagir e dar tudo de material que nos pedirem para preservar aquilo de maior valor que possuímos, e do qual somos responsáveis diretos perante Deus: nossa Vida.

Afastar-se das notícias de violência não é alienar-se como já ouvi alguém dizer (no tempo da Ditadura, era alienado quem não lia e se informava sobre política e economia). Há muitas maneiras de obter informações sadias e uma delas é assistir a programação das TVs educativas espalhadas pelo país onde mesmo os acontecimentos mais infelizes são ali apresentados com equilíbrio e bom senso.

Para finalizar, qualquer que seja a situação, confiar sempre em Deus, porque é Ele que conhece os desígnios de nossas Vidas, nossa Nação e nosso Planeta. Através da oração, manter nossas mentes e corações sintonizados em Jesus, nosso Irmão e Mestre, para que, como um farol, passemos a irradiar Paz e Amor para coletividade em que nos encontramos, suavizando dessa forma a atmosfera de pessimismo que envolve a todos.





Giovanni Bruno - Transcrito de Alavanca (Campinas), ano 44, n. 447, setembro/outubro de 1999, p. 4 - do site www.espirito.org.br

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"Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro mandamento; Instruí-vos, eis o segundo."

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