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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SEJA FEITA A TUA VONTADE...

Na construção de uma casa sólida e confortável, há sempre um plano do arquiteto para ser obedecido.

Os operários precisam consultar as linhas demarcadas para não irem além de suas funções e a fim de não cometerem impropriedades que prejudicariam a obra.

O carpinteiro não deverá perturbar o pintor e o pintor deverá respeitar o vidraceiro.

Assim também, nos serviços de elevação espiritual do homem e do mundo, é necessário procurarmos a Vontade do Senhor para que os Desígnios Divinos sejam devidamente executados.

Sabemos que o bem para todos é o projeto da Eterna Sabedoria para as criaturas e, por isso mesmo, se nos prezamos da condição de trabalhadores educados para a justa prestação de serviço, é indispensável saibamos realizar a nossa parte, na concretização do projeto divino, sem perturbar os nossos irmãos.

Estejamos convictos de que se cada um de nós cumprir a obrigação que lhe compete, no plano do Eterno Bem, oferecendo a cada dia o melhor que pudermos, estaremos indiscutivelmente atendendo às determinações do Nosso Pai Celestial.





Do livro: Pai Nosso. Médium: Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Meimei

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O que há por trás das assombrações

Davilson Silva

A grande maioria das pessoas deste mundo prossegue inapta para compreender os sinais do Alto mesmo tangíveis. Geralmente, não se interessa por eles, e ainda que tome conhecimento, muitos lhes fazem pouco caso. Há quem seja capaz de forjar fenômenos registrados em vídeo com intuito de difundir na Internet, em sites como o do You Tube. Ledo e cego engano! Ao querer torcer o sentido dos fatos ou por chacota, não têm noção de tamanha irresponsabilidade ao exibir aquelas fraudes grotescas e pueris.
Aquelas cenas seriam apenas atos de molecagem, se eles ao menos não desconfiassem que as manifestações espirituais existem. Trata-se de um jeito de provar a si mesmos que estariam seguros de sua frágil persuasão íntima (possivelmente calcada em crendices religiosas), cuja vaidade necessita divulgá-la a fim de receber apoio dos que como eles pensam. Apavoram-se, arrepiam-se, esses tipos, quando sabem da existência de um lugar assombrado. Apesar disso, Deus segue permitindo aos Espíritos tornarem possíveis as manifestações, de modo a produzir impacto.
E se a pessoa vê uma assombração, depara-se com ela? Dependendo do caso, pode sentir um choque emotivo, sofrer transtornos psíquicos que afetariam a parte somática. Uns procuram ajuda em consultórios médicos; outros se socorrem de parapsicólogos ou de sacerdotes com ou sem batina para livrar-se do medo, da sua angústia. O que não sabem é que por trás de insólitas aparições, vozes, gargalhadas, gemidos e barulho de objetos caídos ou arrastados nada há de “sobrenatural” ou de “demoníaco”.
Se esses fenômenos existem é porque estão consequentemente catalogados no rol da Natureza. Dizemos com tranqüilidade que nada têm de sobre-humanos ou de “incríveis, fantásticos, extraordinários”, segundo exclamam as matérias sensacionalistas. Enfim, não há nada de sobrenatural, visto que há sim explicação para eles, a razão de acontecerem em locais ermos ou não, haja vista relatos de há muito oferecidos por investigadores responsáveis, sob critério do mais puro e sadio caráter científico. Eles começam dizendo que tais ocorrências só se sucedem pelo fato da presença de algo muito específico.
Em virtude de uma certa substância de natureza amorfa, vaporosa que se chama ectoplasma, nome dado por um célebre médico e pesquisador-autor francês,(1) é que decorrem os fatos em apreço. Matéria formada com recursos da Natureza, originando-se dos tecidos vegetais e de origem animal e mineral, (2) essa curiosa substância tende à solidez pelo processo do próprio fenômeno, assumindo a forma desejada sob a ação exercida através dela e por meio de um âmbito que lhe dê o emprego necessário para as funções à qual se destina.
Tal elemento energético procede de um ser humano, o médium, isto é, alguém que o emita em abundância. Dono de uma capacidade natural, médiuns ectoplastas são os únicos responsáveis pelas demonstrações, mais acentuadamente falando, dadas através deles. Prestando-se esse tipo de capacidade às consequências do que chamamos: efeitos físicos, o referido seguimento de um processo de desagregação molecular desconhecida, (3) também denominado “plasma exteriorizado”, é submetido a controle.
- Propósito do Alto —Plasma exteriorizado é de autoria do Espírito André Luiz que muito se dedicou ao tema. (4) Ele afirma que essa energia ectoplásmica é controlada por Inteligências da Esfera Espiritual as quais possuem um propósito: sugerir ao Plano Físico a idéia da imortalidade da Alma ao apresentar os mais significativos fenômenos. Pelo organismo do médium que reúna tal condição, as células, em nuança vibratória diferente, entrelaçam-se e se renovam conforme o intento dos moldes mentais.
Em resumo, alguém que possua o notável recurso de doar ectoplasma, cedo ou tarde poderá tornar-se ciente da sua mediunidade de efeitos físicos. No momento em que se encontre em sua própria casa ou numa dessas residências antigas, habitadas ou não, ou num lugar deserto ou em antigos museus, teatros, poderá ver algo ou ouvir algum ruído. Essas manifestações são fugazes e testemunhadas por um só indivíduo e, se tanto, quando necessário, por mais outros que, porventura, lhe estejam próximos.
Como dissemos, esses fenômenos são frequentemente fugidios e costumam incidir mais em antigas construções, sobretudo em descampados. É provável que nesses referidos lugares tenham ocorrido tragédias: um homicídio ou um suicídio ou talvez um acidente qualquer, ou quem sabe uma morte súbita. Logo que tal se sucede, conforme o grau de desespero, do pavor da vítima, rompe-se de modo violento o laço vital do corpo físico ligado ao duplo etérico ou perispírito.
Em princípio, a vítima por estar muito presa à matéria, por sua ignorância espiritual, seus espasmos projetam fragmentos de fluidos vitais que impregnam o lugar e a seiva etérea das plantas ao redor. Por isso, esses fenômenos sucedem inopinadamente em lugares como os já mencionados, tamanho é o repasse das energias tóxicas e mórbidas, projetadas pela aflição de alguém, possível vítima de um cruel assassinato ou de um suicídio ou de alguma outra funesta ocorrência.
Todavia nem todos os lugares, nem todas as aparições, ruídos, vozes ou quaisquer outras manifestações procedem de ocorrências violentas ou são horripilantes. Há casos em que podem aparecer imagens bonitas, sublimadas, como já ocorreu, confundidas com santos Católicos Romanos por indivíduos crédulos. Nós sabemos que, no máximo, o que podem ter visto foi alguma Entidade que, por consequência, acabou proporcionando ensejo para corroborar a crença segundo a qual só os santos e anjos cultuados por sacerdotes é que podem ser vistos por certos “crentes especiais” (leia-se devotos do Catolicismo); por isso, se lhes provêem a beatificação, a canonização.
Nesse caso, o ectoplasma doado de modo também incônscio fora coerente com a substância que existe no local, simples, mas sobrecarregada de magnetismo virgem. Essas manifestações costumam ocorrer nas proximidades de regatos, florestas e ainda em lugares inóspitos como grutas ou grandes planícies, locais que não tenham afluência de pessoas, e à noite em plena escuridão ou na penumbra. O ectoplasma é tão sensível à luz solar quanto à luz da lâmpada elétrica, embora seja possível em circunstâncias especiais resistir à luz do dia ou até à luz da lâmpada de cor vermelha ou amarela.
As manifestações espirituais não costumam se repetir em lugares habitados ou não como com veemência desejam os curiosos, sejam eles crentes ou descrentes, em ambos os casos, do tipo que “paga pra ver”. Daí, a frustração, a zombaria e o descrédito, a semear a dúvida acerca da autenticidade dos fenômenos, ironizando médiuns e a mediunidade ou desrespeitando o trabalho árduo e sério de eminentes pesquisadores, homens de ciência. Estes, ao contrário dos pusilânimes e vaidosos, não se contentaram com a existência dos fatos: aplicaram todo o seu intelecto responsável para conhecê-los em sua plenitude.
Assombrações, lugares apavorantes existem porquanto significam um meio de que se servem os Benfeitores do Além sob judicioso intento de espiritualizar as criaturas humanas. “Por que as assombrações são vistas por gente simples, ignorante, e não por personalidades intelectualizadas?”, fizeram-me uma vez essa pergunta. Da mesma forma perguntamos a um querido Mentor, o José Grosso, um dos Trabalhadores Espirituais de nossa casa espírita, também responsável por nossos trabalhos socorristas de Efeitos Físicos. Ele, de pronto, respondeu com tom de voz de trovão e ao mesmo tempo suave, em estilo nobre, de modo incisivo e rimado:
O sabichão que pensa saber de tudo
e alardeia o que pensa saber,
não tem coragem nem mérito pra ver
o que veria um cidadão sem estudo...

Notas
1 - O termo ectoplasma foi criado pelo dr. Charles Richet (1850/1935), Nobel de Medicina em 1913, ao descrever as experiências científicas sobre os fenômenos de materialização, produzidos pela médium Eva Carrière, em Argel, em 1903
2 - ANDRADE, Hernani Guimarães. A Teoria Corpuscular do Espírito (Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Idéia do Espírito), 1ª ed. São Paulo, edição do próprio autor, 1958. Página 207.
3 - XAVIER, Francisco C. Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz, 11ª ed. Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira (FEB), 1958. Capítulo 17, p. 122.
4 - ———. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 5ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1958. Capítulo 5º , tema: “Células e o corpo espiritual”, p. 46.
in: http://www.oclarim.com.br/?id=7&tp_not=2&cod=731

Cristão ou espírita?

J. Garcelan

Cristão ou espírita? Seria uma redundância? Digo redundância! Os fatos que levaram muitos centros espíritas a se autodenominarem “CENTRO ESPÍRITA KARDECISTA CRISTÃO” são históricos e, na minha avaliação, não houve muito esforço por parte de dirigentes e mesmo das centenas de milhares de adeptos de então, que, movidos pelas circunstâncias, cometeram essa redundância. Preferiram continuar no erro em vez de esclarecer com paciência as confusões criadas por outras doutrinas reencarnacionistas. Kardec, quando criou o vocábulo ESPIRITISMO, já o fez para diferenciar esta doutrina cristã de outras espiritualistas.
Não vamos neste artigo historiar os acontecimentos que levaram muitos espíritas a usaram desse recurso para se diferenciar de outras religiões. Se alguém quiser saber um pouco mais, basta se informar com a literatura espírita e antigos confrades e poderão se atualizar a respeito do assunto e, assim, ajudarem acabar com esse erro. A Doutrina dos Espíritos é baseada na Ciência, na Filosofia e na Religião. Os espíritas, que deveriam ser cristãos autênticos, uma vez que a doutrina nos trouxe de volta a Boa Nova na sua essência, não podem, como outrora, alterar, falsificar ou mudar seja lá o que for. Os homens de antanho, para atingir seus objetivos escusos, alteraram, acrescentaram, retiraram parte do que foi pregado por Jesus, que trouxe ao conhecimento da humanidade o Código Divino.
Quanto ao Espiritismo, “O Espiritismo será aquilo que dele fizerem os homens”, palavras de Léon Denis no livro “NO INVISÍVEL” (edição FEB), considerado o propagador da Doutrina. Essa frase poderia ser dita por qualquer pessoa que conhece a história das religiões, principalmente no que diz respeito ao cristianismo. Os homens, volúveis como são, em seu atual estágio evolutivo são previsíveis quanto às suas idéias materialistas...
Este preâmbulo é para dar início a um conversa com a consciência de cada um.
Podemos começar assim: Sou digno de ser espírita? Durante o dia-a-dia, temos momentos de descontrole emocional onde nos esquecemos que somos cristãos. Basta nos depararmos com uma oportunidade oferecida pelo Pai para exercitarmos a Caridade, no caso um indivíduo prepotente, desonesto, nervoso, ambicioso, mal humorado, etc. para que esqueçamos que somos cristãos e, consequentemente, Espíritas. Ao respondermos na mesma moeda nos igualamos ao nosso “adversário fortuito”!
“Estai preparados, pois não sabeis quando nem como sereis chamados a partir. Não penses estar prontos. Não te iludas, pois infindável é a preparação (José Trigueirinho Netto-193l)”.
Esta frase de Trigueirinho (biografia e obras na internet) nos alerta a respeito de nosso presente e futuro. Sintetiza bem o que devemos esperar de nossas atitudes ou de nosso plantio e a colheita que advirá de acordo com o trato que a ela dermos.
A ignorância é talvez o maior mal do ser humano. Alguns leitores dirão: O orgulho, o egoísmo, a inveja, etc. onde ficam? A resposta é: Por serem ignaros, os homens continuam orgulhosos, materialistas, egoístas, invejosos... Falta de saber; ausência de conhecimento, é um dos conceitos da palavra IGNORÂNCIA, apresentado pelo dicionário Aurélio.
Na antiguidade, muito antes do nascimento de Jesus, sábios orientais e ocidentais deixaram grandes ensinamentos para o conhecimento da humanidade. Exemplo: Lao-Tsé (sábio chinês): “Pagai o mal com o bem, porque o amor é vitorioso no ataque e invulnerável na defesa”.
Poderia prosseguir com Confúcio, contemporâneo de Lao-Tsé, com sábios gregos, etc., mas é em Cristo que vamos encontrar toda a sabedoria para um viver sadio.
Amar o Próximo como a Ti Mesmo, é o maior conselho que a humanidade poderia receber. É mais do que isso; é um bálsamo para todas as doenças; é a resposta para todas as grandes questões humanistas; é evolução contínua...
O Espírito de Verdade, prometido por Jesus, nos trouxe a luz do conhecimento, através da Codificação Espírita. Allan Kardec foi o escolhido para a tarefa. Seus seguidores imediatos, como Léon Denis, nos alertam para o que os homens possam fazer com a Doutrina como fizeram com os ensinamentos de Jesus.
Para aqueles que não conhecem o assunto, recomendo a leitura do livro “A Esquina de Pedra”, de Wallace Rodrigues, publicado pelo O Clarim.
Enfim, ser Espírita é ser adepto das lições puras de Jesus. Isso não quer dizer que ele seja melhor do que qualquer outro ser humano que segue outra religião. Só há uma diferença: o verdadeiro espiritista deve ser cônscio dos defeitos morais e materiais que grassam na humanidade dentro do estágio evolutivo em que nos encontramos. Assim, cada confrade sustenta uma luta interior diária para vencer esses defeitos, pois sabe que é a única forma de evoluir para planos superiores. Sabe que o sofrimento é causa e efeito e que a reencarnação é Justiça Divina; é oportunidade dada pelo Pai para que possamos nos reencontrar. “Nenhuma ovelha se perderá” disse Jesus. Sim, nenhum de nós se perderá. Reencarnaremos inúmeras vezes até que possamos nos juntar ao “rebanho” dos Bem-Aventurados.
“Você deve ser o exemplo da mudança que deseja ver no mundo”. Essa frase é atribuída a Ghandy, um sábio indiano que conseguiu a independência de seu país, no caso a Índia, sem derramar uma gota de sangue.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (edição FEB/1984), Capítulo XVII, item 3, contém um parágrafo que diz: “Ele é bom, humano e benevolente para com todos, sem preferência de raças nem de crenças, porque vê irmãos em todos os homens”.
Enfim, o espírita deve ter em seu âmago a vontade férrea de vencer seus defeitos e progredir incessantemente.
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre tal é a lei” (Allan Kardec).
in: http://www.oclarim.com.br/?id=7&tp_not=2&cod=729

Exorcismo e desobsessão

Henri B. F. Barreto

Conforme documentado nas tábuas de cerâmica em escrita cuneiforme, dos Sumerianos, o exorcismo já era conhecido como sendo uma doença do corpo e da mente, causada por espíritos demoníacos chamados de “Gidim”. Muitas destas tábuas contêm orações pedindo por proteção e ajuda para expelir os demônios que haviam invadido seus corpos. Estas crenças, usos e costumes eram comuns entre os povos antigos e ainda coexistem até hoje entre nós, através do sincretismo religioso, cultos de origem africana, indígena ou xamanista e crenças filosóficas ocultistas. Entre as crenças religiosas que possuem rituais específicos para lidar com as doenças ditas espirituais, podemos citar as de origem orientais como o Hinduísmo, Budismo e Taoísmo, e as ocidentais de origem judaica cristã como o Catolicismo, Evangélicas Pentecostais, Neo-Pentecostais, Islamitas (principalmente os sufistas), afro-brasileiras (Candomblé e Umbanda) e o Espiritismo que prova a ineficácia do ritualismo formal e irracional. Entre os profetas judeus, provavelmente influenciados pelos povos dominadores, era comum a lida com espíritos messiânicos, impuros ou obsessores.Podemos citar a passagem do Antigo Testamento (1) (I Samuel 16: 14 a 23), a saber: “O Espírito de Javé tinha se retirado de Saul, e um mau espírito, procedente de Javé o atormentava.....” . Esta passagem demonstra claramente que entre os israelitas, tanto os bons como os maus espíritos provinham de Deus e que a inferência de um profeta iria ajudá-los nas horas de crise ou domínio de um espírito mau.
Na cabala Judaica, uma pessoa pode ser possuída por um espírito chamado dybbuk, que se acredita ser a alma de uma pessoa morta, que retornou da Gehenna (I). De acordo com esta crença, existem bons e maus espíritos; os bons funcionam como guias espirituais ajudando as pessoas na sua vida cotidiana e os maus estariam ligados a elas para causar tentações e desajustes.
‘Era muito comum na época de Jesus, entre os judeus, curas espirituais de possessos como no caso de “Os endemoninhados gadarenos”, (Mt. 8: 28 a 3, Mc. 5: 1 a 20; Lc 8:37 a 39 e At. 8: 18 a 25 e 19: 11 a 20) “Ao chegar ao outro lado, no país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que se puseram a gritar: Que queres de nós, filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?...”.O que podemos constatar em todas passagens citadas é que tanto Jesus como seus apóstolos curavam os possessos, afastando os espíritos obsessores pela autoridade moral e não por gesticulações, rituais ou qualquer outra prática, a não ser a imposição das mãos. Em atos 19: 11 a 20 o espírito obsessor é muito enfático quando diz aos exorcistas judeus, filhos de Cevas (rabino judeu): “Jesus eu conheço, Paulo sei quem é, vós, porém, quem sois? “E investindo contra eles, o homem no qual estava o espírito mau dominou a uns e outros, e de tal modo os maltratou que, desnudos e feridos, tiveram de fugir daquela casa”.
Seguindo a tradição judaica e o exemplo de Jesus, os apóstolos transmitiram aos primeiros cristãos a prática de curar possessos, conforme os diversos relatos do novo testamento. Tendo em vista esta tradição, as igrejas ortodoxas, católica e algumas evangélicas optaram por estabelecer rituais de exorcismo (apesar de negarem o diálogo com os espíritos).Estes rituais, além de agredirem os “possuídos” e os espíritos, são inócuos, tendo sido, muitos destes “doentes da alma”, supliciados na fogueira pela inquisição. A igreja católica ainda hoje tem um “Ritual de Exorcismos e Outras Súplicas (2)”, aprovado pelo Concílio do Vaticano II e promulgado pelo Papa João Paulo II. Este manual, em sua orientação para uso do rito, inclui fórmulas como gestos (sinal da cruz), aspersão de água benta, água com sal, sopro, ladainhas, salmos, imposição das mãos, intercessão de todos os santos e até diálogo com os espíritos obsessores. Alguns casos mais recentes ganharam destaques na mídia e, gerou até um filme (Exorcismo de Emily Rose), baseado no caso real de Anneliese Michel. Os seus pais e os padres Erives Alt e Arnold Renz foram condenados por homicídio causado por negligência médica, seguido de morte da paciente. Outro caso, também de consequência fatídica e, divulgado pela mídia, foi o da freira Maricica Irina Cornici, de 23 anos, que, “possuída” pelo demônio, morre acorrentada, amordaçada e crucificada em ritual de exorcismo na Romênia.
Recentemente, chamou nossa atenção um artigo publicado pela revista Época (3) sobre programas de televisão do tipo “Reality show”, exibidos pelas Igrejas neo-pentecostais em horário nobre. Nesta edição especial os autores documentaram as teatrais exibições de “exorcismo” ou seção de “descarrego”.
Segundo o exposto, perguntamos: O que é verdade e ético perante os conhecimentos científicos e a moral religiosa?
Conforme os lexicólogos a palavra exorcismo provém etimologicamente do grego exorkismós e do latim exorcismu, que significa oração e cerimônia religiosa com que se esconjura o demônio ou os espíritos maus. Assim, diz-se que exorcismar é valer-se do exorcismo para expulsar do corpo de alguém maus espíritos ou demônios.
Carl Jung foi quem estudou os problemas espirituais e disse que o fenômeno pertencia às imagens gravadas no coletivo humano. Atualmente, como podemos constatar, nenhum cientista, após Jung, desenvolveu um trabalho sério sobre o assunto.A medicina classifica as doenças espirituais como DSM-IV ou doenças mentais (histeria, mania, psicoses), ICD-10 desordem dissossiativa de identidade e mais recentemente a “demonopathy” (II) ou monomania na qual o paciente acredita que está possuído por um ou mais demônios ou espíritos (29% dos pacientes).
Apesar de desconhecido no meio científico internacional, Allan Kardec, sistematizador da Doutrina dos Espíritos, foi quem desenvolveu o melhor estudo sobre a “possessão demoníaca”, ou seja, a posse momentânea de um corpo por um espírito ou espíritos.No livro dos Médiuns (4), capítulo XXIII, da Obsessão, AK inicia afirmando que obsessão é o domínio de alguns Espíritos sobre certas pessoas e que pode ser uma simples obsessão, fascinação ou subjugação. Sobre a subjugação, Kardec afirma ser uma constrição que paralisa a vontade e subjuga o possesso. No item 240 ele afirma que não há possesso se sim obsediados, já na Revista Espírita (5) de 1858, pg.373, sobre o caso de Possessão da Srta. Júlia, AK reconhece haver possessão. Outro fato também relatado por AK na revista de dezembro e agosto de 1862 foi o da epidemia demoníaca de Morzine, uma pequena aldeia da França, noticiada pela imprensa, à qual ele considerou imprudente a intervenção espírita, mas advertiu que esta deveria consistir de uma tríplice ação, a saber: a ação fluídica que liberta o perispírito do doente da pressão do Espírito malévolo, o ascendente moral sobre ele e a influência moralizadora dos conselhos que se lhes dá.
No EVSE (6), Cap. V, “Preces pelos Obsediados”, item 81, AK afirma: “A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo e apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais”. Na observação final deste capítulo, Kardec afirma também que a cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e habilidade e que nenhum resultado se obtém pelo constrangimento do espírito e sim pelo ascendente moral do interlocutor. Assim, fica demonstrado, pela experiência, a completa ineficácia dos exorcismos, fórmulas, palavras sacramentais, amuletos, talismãs, práticas exteriores ou quaisquer sinais materiais (sinal da cruz, etc.).
Atualmente o Espiritismo alcançou um grande progresso no tratamento espiritual de obsedados e possessos, através do passe magnético/espiritual e das reuniões mediúnicas privativas com trabalhadores treinados e experientes. Finalizando, esclarecemos que o tratamento espiritual de obsessões (inclusive possessões), após sua diagnose, deve ser baseado no sentimento de caridade para com os assistidos e na autoridade moral dos médiuns e interlocutores, através de um dialogo fraterno com os espíritos (obedecendo sempre seu livre arbítrio).

I - Gehenna do latim, géenna do grego e Hebraico, lugar de suplício pelo fogo e vermes, dor e tormentos, inferno.

II - Demonopaty demonomania - do grego daemon + páthos, paty, doença mental ou monomania, na qual o paciente acredita ser ou atua como possuído por um espírito demoníaco, ou do mal.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 - Bíblia de Jerusalém, 3ª Edição da língua portuguesa, Editora Paulus-2004.
2 - Ritual de Exorcismo e Outras Súplicas, trad. portuguesa pela editora Paulus, 2004.
3 - “Exorcismo é o dono da Noite”, revista Época, edição 258 de 25/4/2003. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG57053-6014,00.html
4 - Allan Kardec (AK), “Lê Livre dês Médiuns ou Guide dês Médiuns et dês Evocateurs”, Livro dos Médiuns (LM), Trad. de Guilon Ribeiro da 49ª Ed. Francesa, 67ª Ed. da FEB, 2001.
5 - Allan Kardec, Revista Espírita Jornal de Estudos Psicológicos, Ano 1862, trad. de Júlio Abreu Filho, 1965.
6 - Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo (EVSE), 3ª Edição Francesa, Trad. de Guillon Ribeiro, 2007.

In:http://www.oclarim.com.br/?id=7&tp_not=2&cod=728

Demonstrações psico-físicas da sobrevivência

Cairbar Schutel

Matão, agosto de 1930

O Ensino dos Espíritos, coordenados com elevado ponto de vista e irrefragável lógica por Allan Kardec, abriu às nossas vistas novos e vastos horizontes de Vida, comprovando a idéia religiosa de todos os tempos sobre a Imortalidade.
Após o aparecimento do Espiritismo, a sobrevivência não deve ser mais aceita como um “artigo de fé” ligado a esta ou àquela concepção espiritualista, mas sim como um fato demonstrado e demonstrável — uma verdade inconcussa, independente de comprovações retóricas e argumentos sagazes e sutis.
Os fatos verificados em todos os países e observados por homens de todas as classes sociais, comparados com os fenômenos ocorridos em todos os tempos e relatados na história de todos os povos, provam perfeitamente que o homem não termina no túmulo e que se este, como disse Victor Hugo, é o crepúsculo de uma vida, é também a aurora de outra.
As demonstrações psico-físicas da sobrevivência, como se tem observado, aparecem hoje sob todos os aspectos a deixar claramente elucidado não ser a alma uma coisa vaga, abstrata, mas sim um ser concreto, possuindo um organismo físico perfeitamente delimitado, portador de todas as aquisições intelectuais e morais e dotado dos atributos necessários às demonstrações da ciência e da moral, principais insígnias da civilização e do progresso.
De fato, se tudo tem uma causa destinada a produzir um efeito, qual será a causa produtora desses fenômenos supranormais, cuja força indomável chegou a criar uma nova ciência (metafísica), alargando o campo da biologia, da química, da física, da história natural e até da patologia? Podem, porventura, as forças cegas da natureza produzir fenômenos inteligentes, a ponto de criarem ciências e artes e fazerem, como está acontecendo, verdadeira revolução na religião e na moral? A desinteligência pode formar a inteligência? A ignorância, o caos podem engendrar a sabedoria e a harmonia?
Os aspectos múltiplos das manifestações espíritas, estendendo cada vez mais a variedade dessas provas e multiplicando-as todos os dias, não pode deixar de obedecer a um plano inteligente que dirige essas manifestações, a seu turno, produzidas por entidades que afirmam a sua identidade e dizem agir de acordo com as ordens superiores que lhes são ministradas. Nem se pode conceber por outra forma os fenômenos de transportes, levitação, materialização, voz direta, fotografia, demonstrações físicas, objetivas, oriundas de entidades psíquicas que dizem ter vivido na Terra com um corpo carnal, revelando-se como parentes, amigos, conhecidos dos assistentes e apresentando-lhes sua ficha de identidade.
Que outras provas poderemos exigir da sobrevivência, da continuação da vida dos seres que nos são caros senão essas que eles mesmos, à nossa revelia, se lembraram de nos oferecer?
Que outros testemunhos podemos lhes pedir senão que falem, cantem, sorriam como faziam quando conosco estavam, que usem o mesmo estilo, a mesma voz, o mesmo modo de agir, que, finalmente, se retratem reproduzindo suas feições e nos apareçam mostrando-se vivos como eram, com todos os contornos e lineamentos que nos eram familiares?
As manifestações espíritas, transviadas do seu fim providencial, desnaturadas pelo espírito da fraude e do interesse, guerreadas pelo conservantismo sectário e retrógrado, não têm outro fim que nos trazer as demonstrações psico-físicas da sobrevivência.
Todos os fenômenos supranormais do psiquismo, sejam os de natureza anímica, sejam os de natureza espírita propriamente dita, têm um único escopo: a demonstração da existência da alma e da sua sobrevivência à morte do corpo.
Examinemos ligeiramente, para melhor elucidação da nossa tese, um fato de natureza anímica que demonstre positivamente a existência do espírito revelando-se com plena independência do seu corpo carnal.
O Spiritualist de 1875 publica um caso muito característico, devendo-se a narração ao Dr. Desmond Fitsgeral, engenheiro distinto, que testemunha o fato.
Diz ele: “Um negro chamado H. E. Lewis possuía mui grande força magnética, de que fazia exibição em reuniões públicas. Em Blackheath, mês de fevereiro de 1856, numa dessas sessões, ele magnetizou uma rapariga a quem nunca tinha visto. Depois de a ter mergulhado em sono profundo, ordenou-lhe que fosse até a casa dela, e que em seguida contasse ao público aquilo que houvesse visto. Ela declarou então que via a cozinha, e que aí se achavam duas pessoas ocupadas em trabalhos domésticos.
Lewis mandou que ela tocasse então numa dessas duas pessoas. A rapariga começou a rir-se, e disse: “Toquei-as, porém elas estão com muito medo!”
Virando-se para o público, Lewis perguntou se alguém conhecia a rapariga. Sendo-lhe respondido afirmativamente, propôs que uma Comissão fosse ao seu domicílio. Diversas pessoas prontificaram-se a isso, e, quando voltaram, confirmaram em todos os pontos o que a rapariga havia dito.
A casa estava efetivamente numa balbúrdia e em profunda excitação, porque uma das pessoas que se achavam na cozinha declarara ter visto um fantasma e que este tocara-lhe no ombro.
Como se explica esse caso de visão à distância traduzindo perfeitamente o que ocorria no local bem distante do qual se achava a paciente sob a ação do magnetizador Lewis? Se não admitirmos a existência da alma independente do corpo carnal, qual a solução explicativa desse fato?
Inúmeros outros fenômenos da mesma natureza enchem as páginas da história. Haja vista S. Antonio em Pádua aparecendo em Lisboa onde livrou seu pai do suplício da forca.
O sr. Brackett, investigador céptico e muito prudente, assim se exprime quando trata de dar o seu testemunho aos fatos espíritas e anímicos: “Vi centenas de formas materializadas, e em muitos casos o duplo do médium era tão parecido, que eu teria jurado ser ele o próprio médium, se não tivesse visto este duplo desmaterializar-se na minha presença e, imediatamente depois, verificado que o médium estava adormecido”.
Melhor testemunho da existência da alma revestida do seu corpo psíquico não pode existir, além do que, como já vimos, a fotografia constata a veracidade deste princípio.
Quanto à realidade das manifestações espíritas, esta revista, em todos os seus números registra fatos testemunhados por homens de valor, de ciência e personalidades insuspeitas que, forçados pela evidência, não relutam subscrever os relatos das sessões que assistiram, e durante as quais verificaram fenômenos verdadeiramente estupendos.
O Dr. Hitchman, autor de obras de medicina, que fazia parte de um grupo de experimentadores notáveis, após a série de sessões que assistiu, assim se exprimiu:
— “Efetivamente, acredito ter adquirido a mais científica certeza que seja possível obter, isto é, que cada uma dessas formas aparecidas era uma individualidade distinta do invólucro material do médium, por isso que examinei-as com o auxílio de diversos instrumentos, constatei nelas a respiração, a circulação, medi-lhes o talhe, a circunferência do corpo, tomei o peso, etc.”
Finalmente, reunindo todos os fenômenos que têm sido observados, quer os psico-físicos, quer os psico-intelectuais, estudando-se-os sem preconceitos, mas com lógica e bom senso, não podemos deixar de concluir que a teoria espírita é a que apresenta maior clareza na resolução do problema da morte.
Essas demonstrações psico-físicas e psico-intelectuais, como, por exemplo, a produção de línguas estranhas, a confecção de quadros, cuja arte está muito acima da capacidade do executor, de mensagens e até livros cujo conteúdo é muito superior às faculdades dos escritores, todas estas manifestações, em seu conjunto harmonioso e belo, constituem um hino de glória ao Espiritismo — demonstrações patentes, positivas da Imortalidade da alma.

In: http://www.oclarim.com.br/?id=7&tp_not=2&cod=720

Jesus, o divino mestre do amor

Final de ano é sempre tempo de refletir sobre as realizações e as promessas vindouras.
Essa valiosa oportunidade que recebemos todos os anos tem em seu bojo a lembrança sempre presente de Jesus. As pessoas nesta época tendem a baixar sua guarda e fazer aparecer um ser mais bondoso e afetuoso que ficou preso durante um enorme tempo.
Pensa-se mais na família e nos amigos e até encontra-se tempo para orar ou mesmo freqüentar a sua religião.
Trabalha-se com mais empenho para levar para casa um salário maior e assim poder presentear aqueles que lhe são caros. Planeja-se uma refeição mais substanciosa, uma visita àquele parente ou amigo que há muito não se via e até praticam a caridade de reservar um tempo ou uma quantia financeira para doar para esta ou aquela instituição que assiste aos mais necessitados.
É um momento ímpar na vida de todos. O ambiente se transforma e a atmosfera se torna mais leve e saudável. Observam-se mais sorrisos, apertos de mãos e abraços. Deseja-se uma vida mais próspera, menos penosa e mais agradável.
Essa mudança visível entre as pessoas ocorre pela presença invisível do homenageado que permanece, tanto tempo depois, ainda muito desconhecido.
Jesus, o divino mestre do amor é visto ainda pela maioria da humanidade como aquele que veio para morrer pelo seu semelhante, para pagar por eles, sofrer por eles. Não se conseguiu ainda enxergar a extraordinária lição de amor a Deus e ao seu próximo que o mestre veio nos dar.
Pretende-se segui-lo sem entender realmente o que isso significa. Jesus nos ouve sempre, porém, dada a nossa imensa ignorância e orgulho, queremos fazer do Mestre um ouvidor de pedidos egoístas, visando exclusivamente o nosso bem-estar sem a contrapartida do trabalho.
Temos transformado Jesus num mártir; simplesmente uma pessoa que sofreu tormentos inenarráveis, sem entender as profundas lições de amor que ele trouxe e que estão transformando o mundo aos poucos num lugar melhor.
Jesus legou a este planeta um roteiro de trabalho que vai transformando o indivíduo lentamente, mas, com firmeza, até levá-lo a vencer os obstáculos usando para isso a perseverança, a boa vontade e o desejo do bem.
A humanidade ficou presa nos imensos sofrimentos pelos quais Jesus passou e se esqueceu do roteiro Divino e imorredouro das bem-aventuranças. Uma extraordinária lição de amor passada para todos nós e que não conseguimos entender o seu alcance e valor.
Bem-aventurados os aflitos é a lição da justiça Divina onde o mestre ensinou que cada um recebe de acordo com o trabalho que realiza e que tudo pode ser transformado para melhor, através da luta em vencer as nossas imperfeições e, assim, os obstáculos.
Bem-aventurados os pobres de espírito é o ensinamento da humildade vencendo o orgulho. Orgulho que provoca desastres sem fim, pois, enaltece o “eu”, reaviva a soberba e a altivez e, assim, impede que se enxergue o outro, o próximo.
Bem-aventurados os mansos, pacíficos, misericordiosos e os puros de coração é a exaltação da paz, da harmonia, da caridade, do perdão e do amor.
Aquele que é pacífico agrega em torno de si uma legião de trabalhadores do bem, virtuosos que levam aos quatro cantos palavras de conforto e exemplos de perseverança.
E o perdão, tão falado, mas tão desconhecido permanece como uma peça de museu, como se ele fosse coisa do passado. Jesus falou da necessidade do perdão, pois a sua prática ensina sempre relevar e nunca revidar. E nos disse ser necessário perdoar setenta vezes sete.
Para por em prática as lições do mestre Jesus é preciso entendê-las e ter boa vontade para executá-las. Ninguém se torna melhor sem esforço, da mesma forma que nada se constrói sem primeiro saber o que se quer construir.
Os ensinamentos de Jesus não-somente consolam e nos adoça o coração, mas exigem esforço para vencer as fraquezas que permeiam a nossa vida. A sua palavra é sempre revigorante e afetuosa, coerente e racional e por isso nos convoca para a necessidade da edificação de uma vida pautada pelo trabalho, pela justiça e pelo amor que devemos dedicar a Deus e ao nosso próximo.

Jorge Jossi Wagner
In: http://www.oclarim.com.br/?id=7&tp_not=1&cod=353

Uma aparição providencial

Publicado no Oxford Chronicle de 1° de junho de 1861. Robert Dale, antigo ministro
dos Estados Unidos em Nápoles, relatou este fato em uma de suas obras, cercando-se de
todos os documentos que atestavam a sua veracidade. Kardec enfatiza: esta história é
perfeitamente autêntica!!
Em 1828 um navio dirigia-se de Liverpool para New-Brunswick. Estando
próximo de Terra Nova, o capitão e o imediato, Robert Bruce, calculavam a rota, o
primeiro em sua cabine e o outro na câmara ao lado, locais próximos que o lhes permitia
que se vissem e se falassem.
O capitão subiu para a ponte, Bruce não percebeu. Fez uma pergunta e como não
obteve resposta, foi até a porta da cabine e viu um homem sentado no lugar do capitão,
escrevendo numa ardósia. O homem olhou Bruce fixamente, que apavorado correu para
a ponte e contou o fato ao capitão, que julgou um absurdo um estranho estar sentado à
sua mesa, quando há já 6 meses estavam no mar. Mandou Bruce ir ver quem era, mas
ele recusou-se: não era um covarde, não acreditava em aparições, mas não suportava
idéia de ver aquele estranho de frente. Ambos desceram, o capitão na frente, não
encontraram ninguém! O capitão disse a Bruce que ele tinha sonhado, mas este leu na
ardósia: Dirija-se para noroeste.
O capitão fez toda a tripulação escrever as mesmas palavras: nenhuma letra
coincidiu com aquela. Procuraram por todo o navio, mas não encontraram nenhum
estranho. O capitão resolveu mudar o rumo e navegar para noroeste...Após 3 horas,
encontraram um bloco de gelo, um navio desmastreado, sobre o qual havia vários
homens. Aproximando-se, soube que o navio estava quebrado, as provisões esgotadas, a
equipagem e os passageiros famintos. Enviaram barcos para os recolher, mas quando
chegaram à bordo, Bruce reconheceu entre os náufragos o homem que tinha visto na
cabine do capitão. Acalmada a confusão o imediato, procurou o capitão e o pôs a par da
ocorrência.
O capitão convidou o homem a ir à sua cabine, e lhe pediu para escrever aquelas
palavras, do outro lado da ardósia.. O passageiro obedeceu, e após escrevê-las, o capitão
virou a ardósia mostrando que as letras eram iguais nos dois lados , o que surpreendeu
profundamente o náufrago. O capitão contou-lhe que ele tinha sido visto pelo seu
imediato ao meio dia escrevendo aquelas palavras, o que lhe pareceu impossível, pois
tinha acabado de chegar ao navio.
Interrogado, o capitão do navio naufragado contou que pouco antes do meio dia
aquele passageiro caiu num sono profundo e só acordou depois de uma hora. Durante o
sono falou que estava a bordo de um navio, que descreveu, e demonstrou a certeza de
que seriam salvos.
O passageiro não se lembrava do sonho, mas ao acordar teve um pressentimento
de que um navio viria salvá-los. Depois que Bruce relatou em detalhes a aparição, todos
concluíram que o fato era providencial!
Comentário de Kardec: ..”a escrita na ardósia é um fato material. Que aqueles
que se apóiam na alucinação, tenham a bondade de dizer como, com seu sistema
exclusivo, explicarão todas as circunstâncias desse acontecimento.
RE julho 1861

Ensaio sobre a teoria das alucinações

Um dos membros da Sociedade Espírita de Paris contou a Kardec, que um seu
amigo estava na África, quando derrepente viu à sua frente um cortejo fúnebre: era o de
seu tio, que residia na França e que há muito tempo não via. Visualizou distintamente
toda a cerimônia, desde a casa do tio, até a igreja e o transporte para o cemitério..
No momento estava desperto, mas num certo estado de absorção, do qual só saiu
quando tudo desapareceu. Chocado com o fato escreveu para a França, pedindo notícias
do tio, e soube que este tinha falecido subitamente e tinha sido sepultado no dia e hora
em que ocorrera a visão.
Eis um outro caso não menos característico. Um dos nossos associados, escreve
Kardec, oficial da marinha, estava em alto mar, quando viu seu pai e seu irmão atirados
debaixo de uma carruagem, o pai morto, o irmão ileso.
Quinze dias depois, tendo desembarcado na França, os amigos o procuraram,
tentando prepará-lo para a triste notícia. Ele, porém, afirmou que já sabia o que eles iam
dizer: que seu pai havia morrido há 15 dias. Realmente seu pai e seu irmão desciam de
carruagem os Campos Elíseos, quando o cavalo espantou-se, a carruagem quebrou, seu
pai morreu e seu irmão sofreu contusões.
Comentário de Kardec. Os fatos são positivos, atuais, e não afirmem os
incrédulos, sejam lendas medievais.
O fenômeno da aparição pode produzir-se de duas maneiras: ou é o Espírito que
vem ao encontro da pessoa que o vê, ou é o Espírito desta que se transporta e vai
encontrar a outra.
Nos dois casos, o sobrinho e o filho é que foram ao encontro dos acontecimentos,
cuja percepção se deu pela vista dupla.

Um Espírito que não se acreditava morto

Um assinante da RE, excelente médium psicógrafo, escreveu a Kardec relatando a
visão, que teve, de um parente desencarnado. Ele, descreve o assinante da revista, era
um homem excelente, vivo, arrebatado, mas imperioso com os criados e, sobretudo,
extremamente apegado aos seus bens. Cético, não se ocupava com nada que se referisse
à vida espiritual.
Pouco mais de três meses após a sua morte, procurou-o à noite e se pôs a sacudir
as cortinas, procurando chamar atenção, passando a relatar o motivo da sua vinda.
Pedia-lhe auxílio, porque era a única pessoa que, acreditava, poderia ouvi-lo. Sua
mulher e seu filho viajaram para Orleans. Queria visitá-los, mas nenhum servo obedecia
às suas ordens. Dissera a Pedro, um deles, que fizesse suas malas, mas ele não o
escutava. Ninguém lhe dava atenção. Queria que ele fosse atrelar os cavalos à outra
carruagem, preparar sua bagagem e assim ele poderia juntar-se à sua mulher em
Orleans.
O médium perguntou ao Espírito, por que ele mesmo não tomava essas
providências? O Espírito respondeu que depois do sono que experimentou, após a sua
doença, não era capaz de levantar coisa alguma. Sentia-se mudado, como que num
pesadelo.
À pergunta se ele vinha do castelo, o Espírito respondeu que vinha do cemitério e
dando um grito de horror, desapareceu.
O médium soube, no dia seguinte, que realmente a viúva e o filho tinham partido
para Orleans!...
Comentário de Kardec. Esta aparição é sobretudo notável pela ilusão que têm certos
Espíritos, supondo-se ainda vivos. O Espírito via tudo como quando vivo; surpreende-se
por não ser ouvido, quando fala; julga ocupar-se com suas tarefas habituais.
A existência do perispírito é aqui demonstrada de maneira notável. Uma vez que se
julga vivo , é que vê seu corpo em tudo semelhante ao que deixou, nada lhe parece
mudado e só se espanta porque não pode movimentar os objetos como o fazia..
Compreende-se que o seu apego à matéria, o retenha após a morte. A resposta que deu,
que vinha do cemitério, demonstra que o desprendimento não sendo completo, existia
uma espécie de atração entre o Espírito e o corpo. A própria pergunta, porém, parece
que o levou a começar a compreender a sua situação, daí o responder com pavor!

RE dez/1859

Em Janeiro Aconteceu...

Dia 1:

1846 - Nasce Léon Denis, em Foug, França. Filósofo da Doutrina Espírita e um de seus maiores divulgadores.
1858 - Publicado o primeiro número da Revista Espírita, fundada por Allan Kardec.
Dia 2:

1889 - Nasce Carlos Mirabelli, em Botucatu, SP. Médium extraordinário. Em transe, falava 28 línguas, produzia efeitos físicos impressionantes; sem conhecer música, executava com perfeição obras de Wagner dentre outros mestres famosos.
1884 - Eleita e empossada a primeira diretoria da Federação Espírita Brasileira.
Dia 3: 1412 - Nasce Joana d'Arc, levada à fogueira pela Inquisição por manifestar mediunidade ostensiva. Em 1920, é canonizada pelo Papa Bento V.

Dia 6: 1868 - É lançada a primeira edição de A Gênese, de Allan Kardec.

Dia 8:

1950 - Primeira palestra, em Salvador, BA, do médium Divaldo Pereira Franco para detentos da penitenciária da cidade.
1958 - Fundado, no Rio de Janeiro, RJ, o Lar Fabiano de Cristo, por Jayme Rolemberg e Carlos Pastorino.
Dia 10: 1969 - Desencarna Zilda Gama no Rio de Janeiro, RJ. Professora, médium psicógrafa, tendo produzido por intermédio do Espírito Victor Hugo diversos romances mediúnicos.

Dia 12:

1746 - Nasce em Zurique, Suíça, Johann Heinrich Pestalozzi, educador de Allan Kardec.
1971 - Desencarna Zé Arigó (José Pedro de Freitas). Médium de cura, incorporava o médico alemão dr. Fritz, servindo de instrumento deste para a realização de impressionantes cirurgias espirituais, utilizando ferramentas comuns sem anestesia e sem esterilização.
Dia 15: 1861 - É lançada a primeira edição de O Livro dos Médiuns.

Dia 17: 1706 - Nasce Benjamin Franklin em Boston, EUA. Filósofo, cientista, inventor, músico. Junto com outros espíritos, assina "Princípios Básicos" (Prolegômenos) em O Livro dos Espíritos, demonstrando fazer parte daqueles que se fizeram presentes ao trabalho extraordinário da Codificação da Doutrina Espírita.

Dia 22: 1909 - Desencarna Antonio Gonçalves da Silva "Batuíra" em São Paulo, SP. De espírito humanitário e idealista, aderiu desde o início à campanha abolicionista, trabalhando com desenvoltura ao lado de Luiz Gama e de Antonio Bento. Em sua casa, abrigava escravos foragidos. Só os deixava sair com a carta de alforria, que comprava com seu próprio dinheiro.

Dia 30: 1938 - Desencarna Cairbar de Souza Schutel. Médium receitista, escritor e divulgador da Doutrina Espírita. Foi fundador do Centro Espírita Amantes da Pobreza em 1904, em Matão, SP. No ano seguinte, fundou o jornal O Clarim e, em 1925, criou a Revista Internacional de Espiritismo. Foi também um dos pioneiros na divulgação da Doutrina por meio de programas de rádio.

Fonte: www.petit.com.br/site/biografias.asp

PERNICIOSO SENTIMENTO

Conta-se que um monge eremita viajava através das aldeias, ensinando o bem.

Chegando a noite e estando nas montanhas, sentiu muito frio. Buscou um lugar para se abrigar. Um discípulo jovem ofereceu-lhe a própria caverna. Cedeu-lhe a cama pobre, onde uma pele de animal estava estendida.

O monge aceitou e repousou. No dia seguinte, quando o sol estava radiante e ele deveria prosseguir a sua peregrinação, desejou agradecer ao jovem pela hospitalidade.

Então, apontou o seu indicador para uma pequena pedra que estava próxima e ela se transformou em uma pepita de ouro.

Sem palavras, o velho procurou fazer que o rapaz entendesse que aquela era a sua doação, um agradecimento a ele. Contudo, o rapaz se manteve triste.

Então, o religioso pensou um pouco. Depois, num gesto inesperado, apontou uma enorme montanha e ela se transformou inteiramente em ouro.

O mensageiro, num gesto significativo, fez o rapaz entender que ele estava lhe dando aquela montanha de ouro em gratidão.

Porém, o jovem continuava triste. O velho não pôde se conter e perguntou:

Meu filho, afinal, o que você quer de mim? Estou lhe dando uma montanha inteira de ouro.

O rapaz apressado respondeu: Eu quero o vosso dedo.

A inveja é um sentimento destruidor e que nos impede de crescer.

Invejamos a cultura de alguém, mas não nos dispomos a permanecer horas e horas estudando, pesquisando. Simplesmente invejamos.

Invejamos a capacidade que alguns têm de falar em público com desenvoltura e graça. Contudo, não nos dispomos a exercitar a voz e a postura, na tentativa de sermos semelhantes a eles.

Invejamos aqueles que produzem textos bem elaborados, que merecem destaque em publicações especializadas. No entanto, não nos dispomos ao estudo da gramática, muito menos a longas leituras que melhoram o vocabulário e ensinam construção de frases e imagens poéticas.

Enfim, somos tão afoitos quanto o jovem da história que desejava o dedo do monge para dispor de todo o ouro do mundo, sem se dar conta de que era a mente que fazia as transformações.

Pensar é construir. Pensar é semear. Pensar é produzir.

Vejamos bem o que semeamos, o que produzimos, nas construções de nossas vidas, com as nossas ondas mentais.

No lugar da inveja, manifestemos a nossa vontade de lutar para crescer, com a certeza de que cada um de nós é inigualável. O que equivale a dizer que somos únicos e que ninguém poderá ser igual ao outro.

Cada um tem seus tesouros íntimos a explorar, descobrir e mostrar ao mundo.

Quando pensamos, projetamos o que somos. Pensemos melhor. Pensamento é vida.





Redação do Momento Espírita, com base no cap. 2 do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e história tibetana extraída do livro Elucidações espíritas, entrevista 5, de Divaldo Pereira Franco, ed. S.E. Joanna de Angelis. Extraído do endereço: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2089&stat=0.

A LENDA DO DINHEIRO

Conta-se que, no princípio do mundo, o Senhor entrou em dificuldades no desenvolvimento da obra terrestre, porque os homens se entregaram a excessivo repouso.

Ninguém se animava a trabalhar.

Terra solta amontoava-se aqui e ali. Minerais variados estendiam-se ao léu. Águas estagnadas apareciam em toda parte.

O Divino Organizador pretendia erguer lares e templos, educandários e abrigos diversos, mas... com que braços?

Os homens e as mulheres da Terra, convidados ao suor da edificação por amor, respondiam: - "para quê?" E comiam frutos silvestres, perseguiam animais para devorá-los e dormiam sob as grandes árvores.

Após refletir muito, o Celeste Governador criou o dinheiro, adivinhando que as criaturas, presas da ignorância, se não sabiam agir por amor, operariam por ambição.

E assim aconteceu.

Tão logo surgiu o dinheiro, a comunidade fragmentou-se em pequenas e grandes facções, incentivando-se a produção de benefícios gerais e de valores imaginativos.

Apareceram candidatos a toda espécie de serviços.

O primeiro deles pediu ao Senhor permissão para fundar uma grande olaria. Outro requereu meios de pesquisar os minérios pesados de maneira a transformá-los em utensílios. Certo trabalhador suplicou recursos para aproveitamento de grandes áreas na exploração de cereais. Outro ainda implorou empréstimo para produzir fios, de modo a colaborar no aperfeiçoamento do vestuário. Servidores de várias procedências vieram e solicitaram auxílio financeiro destinado à criação de remédios.

O Senhor a todos atendeu com alegria.

Em breve, olarias e lavouras, teares rústicos e oficinas rudimentares se improvisaram aqui e acolá, desenvolvendo progresso amplo na inteligência e nas coisas.

Os homens, ansiosamente procurando o dinheiro, a fim de se tornarem mais destacados e poderosos entre si, trabalhavam sem descanso, produzindo tijolos, instrumentos agrícolas, máquinas, fios, óleos, alimento abundante, agasalho, calçados e inúmeras invenções de conforto, e, assim, a terra menos proveitosa foi removida, as pedras aproveitadas e os rios canalizados convenientemente para a irrigação; os frutos foram guardados em conserva preciosa; estradas foram traçadas de norte a sul, de leste a oeste e as águas receberam as primeiras embarcações.

Toda gente perseguia o dinheiro e guerreava pela posse dele.

Vendo, então, o Senhor que os homens produziam vantagens e prosperidade, no anseio de posse, considerou, satisfeito:

- Meus filhos da Terra não puderam servir por amor, em vista da deficiência que, por enquanto, lhes assinala a posição; todavia, o dinheiro estabelecera benéficas competições entre eles, em benefício da obra geral. Reterão provisoriamente os recursos que me pertencem e, com a sensação da propriedade, improvisarão todos os produtos materiais de que o aprimoramento do mundo necessita. Esta é a minha Lei de Empréstimo que permanecerá assentada no Céu. Cederei possibilidades a quantos mo pedirem, de acordo com as exigências do aproveitamento comum; todavia, cada beneficiário apresentar-me-á contas do que houver despendido, porque a Morte conduzi-los-á, um a um, à minha presença. Este decreto divino funcionará para cada pessoa, em particular, até que meus filhos, individualmente aprendam a servir por amor à felicidade geral, livres do grilhão que a posse institui.

Desde então, a maioria das criaturas passou a trabalhar por dedicação ao dinheiro, que é de propriedade exclusiva do Senhor, da aplicação do qual cada homem e cada mulher prestarão contas a Ele mais tarde.





Do Livro: Alvorada Cristã, Médium: Francisco Cândido Xavier. Ditado pelo Espírito Neio Lúcio

SÓ O AMOR

Só o amor atravessa as paredes compactas do cárcere em que a ignorância se aguilhoa à penúria de espírito, conduzindo os antros sombrios de nossos débitos à santificante claridade da libertação.






Do livro: Sentinelas da Alma, Médium: Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Meimei.

EM COMBATE

Desde que recebi a solicitação de Crisolino, meu benfeitor espiritual, estou empenhado na abolição das armas de morte – dizia Dantas, num jantar íntimo. – Creio que a guerra desaparecerá do mundo, quando cada um de nós esteja disposto a expulsá-la do seu próprio círculo.

E falava entusiástico. Rememorava a estatística de muitas guerras. Salientava os programas bélicos de muitos povos. Detinha-se apaixonadamente em Napoleão, chamando-lhe “gênio carniceiro.”

Não se poupava. Onde aparecesse oportunidade, aí estava Dantas para a cruzada a que se propunha. Pedia movimentos renovadores, para que os canhões se fizessem arados.

Adquiriu boa máquina cinematográfica e exibia quadros curiosos. Revólveres provocando desastres. Sabres em mãos de legionários da antiguidade ao invadirem territórios pacíficos. Telas mostrando o efeito de bombardeios destruidores. Estudos sobre adagas e baionetas, trabucos e punhais.

E, diante dos pais, pedia sempre não dessem, aos pequeninos, brinquedos que simulassem armas de morte. Todavia, estimava as alegrias da mesa, depois das instruções. Alegava que uma boa conversação, após um assunto sério em conferência, consolidava impressões. E toca a devorar as viandas que aparecessem.com semelhante regime, Dantas, aos quarenta e dois anos de idade, sofria obesidade característica e era campeão de moléstias do estomago. Chamado, certa feita, o Dr. Neves Lima para examiná-lo, numa crise de gastralgia, admirou-se o médico da pressão alta.

- Dantas, se você não tiver cuidado, acaba estourando.

Ele, porém, zombou do facultativo e repetiu o que costumava dizer:

- Crisolino, o meu protetor espiritual, declarou que chegarei aos setenta, desde que me mantenha combatendo as armas da morte.

Aconteceu, porém, o esperado.

O Dr. Neves acordou, noite alta, por insistência do telefone. Da residência de Dantas chamavam-no. Encontrou o cliente em coma.

Depois de grande ceia, Dantas acusara súbito mal-estar. Recolhido ao leito, perdera a palavra e o controle dos movimentos. Prostração. Espasmo cerebral. Complicações sérias. O Dr. Neves faz o possível, durante quatro dias se quatro noites de vigilância e exaustão. Apesar de tudo, Dantas foi compelido a deixar o corpo físico. A família chorava. No plano Espiritual, Dantas acordou no regaço de Crisolino, que o amparava, paternalmente.

Informou-se quanto à libertação de que fora objeto. Mas, considerando os problemas que lhe requisitavam a presença no mundo, clamou desapontado para os ouvidos do guardião:

- Mas você não me prometeu setenta anos, se eu permanecesse em combate contra as armas de morte? E que fiz toda a minha existência senão isso?

Crisolino, porém, replicou sem vacilação:

- Sim, sim, mas você esqueceu de que o garfo também mata ...





Do livro: A Vida Escreve, pelo Espírito: Hilário Silva - Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

NO BOM COMBATE

Meu jovem amigo.

Enquanto brilha a manhã, atendamos à conscrição divina.

Convida-nos o Senhor a operar no grande combate da luz contra a sombra e do bem contra o mal.

Não longe de nós, há continentes do espírito por descobrir e desbravar.

Armemos o coração de amor e humildade, coragem e entendimento.

Enquanto o entusiasmo juvenil te povoa a alma sensível, ao nosso lado, marcham lidadores desiludidos que as amarguras da Terra desencantaram, quase vencidos ao gelado sopro do desânimo, e, enquanto o hino da alegria ressoa na acústica de teus sonhos diante do altar da vida, junto de nós, seguem companheiros sem a graça da esperança, quase perdidos sob o nevoeiro da angústia que lhes parece irremediável...

Há inimigos na vizinhança de nossa experiência pessoal, reclamando-nos socorro sereno e vigilância pacífica.

São eles a ignorância e o ódio, o desalento e a discórdia, o egoísmo e a vaidade... Há irmãos nossos, na longa estrada, caídos sob o gládio desses antigos verdugos da Humanidade.

Contra esses adversários da felicidade e da paz é indispensável detonar o alfabeto e arremessar os raios divinos do amor, semear o bom ânimo e fortalecer a união fraterna, irradiar a bondade e exemplificar a vida simples.

Não te separes da esperança.

O caminho do progresso é cimentado com o suor dos trabalhadores leais ao Supremo Bem, que descobrem no próprio sacrifício e no heroísmo silencioso e anônimo a glória da libertação espiritual.

Estamos recrutados para ajudar e servir.

Sigamos, pois, para a vanguarda da redenção terrestre, sem exigir do mundo senão o direito de sermos úteis, no setor da atividade individual, porque em nosso exército de servidores cada batalhador dará testemunho de si mesmo, de coração ligado ao Divino Comandante que preferiu o escárnio público, a solidão íntima e a morte na cruz, para que o Amor resplandecesse em vitória sublime e imperecível sobre a Terra inteira.





pelo Espírito Agar, Do livro: Cartas do coração. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

MENTIRA É SEMPRE MENTIRA

Certa feita, uma revista de circulação nacional apresentou reportagem acerca da mentira, mostrando-a como um ingrediente fundamental do jeitinho brasileiro.

Mais ou menos no mesmo período, determinado programa televisivo ofereceu a oportunidade aos telespectadores de opinarem se um personagem deveria ou não mentir para vingar um crime do passado, ainda impune.

A mentira venceu por larga margem.

Isso demonstra como estamos nos habituando com a mentira e a estamos utilizando, em nosso cotidiano.

Mentimos para obter algum benefício, para preservação da nossa imagem, para evitar um sentimento de vergonha, por verdadeira covardia.

Assim, um amigo não diz ao outro o que realmente pensa e deseja dele.

Se o amigo possui defeitos, em vez de alertá-lo a respeito, bate-lhe nas costas e com uma frase reticente, permite àquele interpretar que tudo vai muito bem.

A mãe mente para o filho pequeno, afirmando que já volta, e na verdade se ausenta por longas horas.

Servem-se da mentira alguns que afirmam serem técnicos em tal ou qual área, não passando, na verdade, de meros aprendizes.

Utilizam a mentira aqueles que oferecem um produto como sendo de primeira linha, quando não o é. Mentem todos aqueles que fazem promessas, sabendo antecipadamente que jamais as poderão cumprir.

Natural que tal clima gere desconfiança e descrença, itens que presidem ao relacionamento atual das criaturas.

Há quem acredite ser normal a criança mentir e somente ser sintoma de enfermidade no adulto.

Contudo, o mentiroso é sempre alguém enfermo. E em razão mesmo de sua forma de proceder, se torna desacreditado, mesmo quando se expresse de forma correta e verdadeira.

Para quem está habituado à mentira, se torna muito natural alterar o conteúdo ou a apresentação dos fatos, manipulando-os ao seu bel prazer.

As raízes da mentira se encontram no lar instável, mal formado, quando não emanam dos conflitos da personalidade, que induzem o ser à fuga da realidade e ao culto da fantasia.

Faz-se imperioso que se estabeleça uma disciplina rígida na arte de falar, procurando repetir o que se ouviu exatamente como se escutou; o que se viu da forma mesma como aconteceu, evitando-se interpretar o que se pensa em torno do assunto, que nem sempre corresponde aos fatos. Esta é uma maneira de vital importância para se abandonar o vício da mentira.

Não há necessidade de mentir, e toda vez que nos servirmos da mentira, estaremos demonstrando um distúrbio de comportamento, que precisa urgentemente ser corrigido.

Mentir compulsivamente é um distúrbio da imaginação chamado mitomania.

A verdade deve ser sempre dita com naturalidade, sem alarde, mas na íntegra, jamais adornada de fantasias ou conclusões pessoais.






Redação do Momento Espírita, com base no artigo O império das meias-verdades, publicado pela Revista Isto é, nº 1466 e no cap. 3 do livro Vida: desafios e soluções, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.Leal

FAMÍLIA

A família consangüínea, entre os homens, pode ser apreciada como o centro essencial de nossos reflexos. Reflexos agradáveis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve.

Certo, não incluímos aqui os Espíritos pioneiros da evolução que, trazidos ao ambiente comum, superam-no, de imediato, criando o clima mental que lhes é peculiar, atendendo à renovação de que se fazem intérpretes.

Comentamos a nossa posição no campo vulgar da luta.

Cada criatura está provisoriamente ajustada ao raio de ação que é capaz de desenvolver ou, mais claramente, cada um de nós apenas, pouco a pouco, ultrapassará o horizonte a que já estenda os reflexos que lhe digam respeito.

O homem primitivo não se afasta, de improviso, da própria taba, mas aí renasce múltiplas vezes, e o homem relativamente civilizado demora-se longo tempo no plano racial em que se assimila as experiências de que carece, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações.

É assim que na esfera do grupo consangüíneo o Espírito reencarnado segue ao encontro dos laços que entreteceu para si próprio, na linha mental em que se lhe caracterizam as tendências.

A chamada hereditariedade psicológica é, por isso, de algum modo, a natural aglutinação dos espíritos que se afinam nas mesmas atividades e inclinações.

Um grande artista ou um herói preeminente podem nascer em esfera estranha aos sentimentos nos quais se avultam. É a manifestação do gênio pacientemente elaborado no bojo dos milênios, impondo os reflexos da sua individualidade em gigantesco trabalho criativo.

Todavia, na senda habitual, o templo doméstico reúne aqueles que se retratam uns nos outros.

Uma família de músicos terá mais facilidade para recolher companheiros da arte divina em sua descendência, porque, muitas vezes, os espíritos que assumem a posição de filhos na reencarnação, junto deles, são os mesmos amigos que lhes incentivam a formação musical, desde o reino do espírito, refletindo-se reciprocamente na continuidade da ação em que se empenham através de séculos numerosos.

É ainda assim que escultores e poetas, políticos e médicos, comerciante e agricultores quase sempre se dão as mãos, no culto dos melhores valores afetivos, continuando-se, mutuamente, nos genes familiares, preservando para si mesmos, mediante o trabalho em comum e segundo a lei do renascimento, o patrimônio evolutivo em que se exprimem no espaço e mo tempo. Também é aí, de conformidade com o mesmo princípio de sintonia, que vemos dipsômanos e cleptomaníacos, tanto quanto delinqüentes e enfermos de ordem moral, nascendo daqueles que lhes comungam espiritualmente as deficiências e as provas, porquanto muitas inteligências transviadas se ajustam ao campo genético daqueles que lhes atraem a companhia, por força dos sentimentos menos dignos ou das ações deploráveis com que se oneram perante a Lei.

A vida familiar, por esse motivo, é a resultante da conjunção de débitos, situando-nos no plano genético enfermiço que merecemos, à face dos nossos compromissos com o mundo e com a vida. Dessa forma, somos impelidos a padecer o retorno dos nossos reflexos tóxicos através de pessoas de nossa parentela, que no-los devolvem por aflitivos processos de sofrimento.

Temos assim, no grupo doméstico, os laços de elevação e alegria que já conseguimos tecer, por intermédio do amor louvavelmente vivido, mas também as algemas de constrangimento e aversão, nas quais recolhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino e que necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova produção de reflexos espirituais, suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.





pelo Espírito Emmanuel, Do livro: Pensamento e vida, Médium: Francisco Cândido Xavier

PREJUÍZOS E VANTAGENS

Quem assestar a observação pessoal em torno de si, descobrirá que o mundo se constitui de recantos multifaces, atraindo reflexões, qual se os olhos fossem caleidoscópios para visões de profundidade nos domínios da alma.

De trecho em trecho, um quadro sugerindo meditações:
O campo cultivado, embora a rudeza do solo;
O charco absorvendo considerável extensão de terra boa;
O jardim florindo, conquanto, às vezes, adubado a detritos;
O espinheiro deitando acúleos sobre gleba fértil;
A casa singela de quatro aposentos, em muitas ocasiões, agüentando mais de vinte pessoas;
O edifício de formação enorme, superlotado de comodidades, carregando apenas dois ou três habitantes;
A árvore sacrificada pela influência de parasitas e ofertando frutos em todas as direções;
O tronco opulento, rico de galharia, a revestir-se de beleza sem a mínima utilidade;
A fonte distribuindo benefícios, apesar de movimentar-se entre montões de pedras e areia;
O repuxo multicolorido que impressiona a vista sem saciar a sede, posto que situado no reconforto da praça pública.

Do mesmo modo encontramos o mundo moral em que respiramos.

Muitos se queixam de imperfeições e dificuldades; inúmeros não enxergam as oportunidades e os talentos que usufruem.

Se todos temos empeços, todos igualmente desfrutamos vantagens.

Uns, possuindo vastos recursos, ocasionam prejuízos sem conta; outros, cercados de obstáculos, produzem valores imperecíveis.Dirijamos as lentes do estudo desapaixonado sobre nós mesmos e perceberemos, de imediato, o que realmente somos e o que podemos ser, em matéria de bem ou mal, para os outros, na ordem da vida, tudo dependendo da aplicação de nosso livre-arbítrio.





pelo Espírito André Luiz - do livro: Sol nas Almas, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

O Que Importa...

Não importa:




que a ventania da incompreensão nos zurza o caminho;



que a ignorância nos apedreje;



que a injúria nos aponte ao descrédito;



que a maledicência nos receba a jarros de lama;



que a intriga nos envolva em sombra;



que a perseguição nos golpeie;



que a crítica arme inquisições para condenar-nos;



que os obstáculos se multipliquem, complicando-nos a jornada;



que a mudança de outrem nos relegue ao abandono;



ou que as trevas conspirem incessantemente, no objetivo de perder-nos.



Importa nos agasalhemos na paciência;


que nos apliquemos à desculpa incondicional;


que nos resguardemos na humildade, observando que só temos e conseguimos aquilo que a Divina Providência nos empreste ou nos permita realizar;


que nos cabe responder ao mal com o bem, sejam como sejam as circunstâncias;


e que devemos aceitar a verdade de que cada coração permanece no lugar em que se coloca e que, por isso mesmo, devemos, acima de tudo, conservar a consciência tranquila, trabalhar sempre e abençoar a todos, procurando reconhecer que todos somos de Deus e todos estamos em Deus, cujas leis nos julgarão a todos, amanhã e sempre, segundo as nossas próprias obras.



Emmanuel

In: 'Coragem' - Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

NINGUÉM MORRE

Não reclames da Terra
Os seres que partiram…
Olha a planta que volta
Na semente a morrer.
Chora de vez que o pranto
Purifica a visão.
No entanto continua
Agindo para o bem.
Lágrima sem revolta
É orvalho da esperança.
A morte é a própria vida
Numa nova edição.
Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Caravana do Amor” - EDIÇÃO IDE

AVISOS DA CRIAÇÃO

A Presença Divina constitui verdade perene. Até o silêncio da pedra fala em Deus.

O Universo repousa na disciplina.
O labirinto da selva revela ordem em cada pormenor.

Em a Natureza, tudo pede compreensão e respeito.
O deserto é o cadáver do mar.

Há sabedoria em todas as coisas.
Embora sem tato, a trepadeira sabe encontrar apoio; não obstante sem visão, o girassol descobre sempre o astro rei.

Em tudo existe a feição boa.
As nuvens mais sombrias refletem a luz solar.

Eternidade significa aprimoramento contínuo de repetições.
Sem recapitular movimentos, a Terra desagregar-se-ia.

A fé construtiva não teme a adversidade.
O penhasco no dilúvio é ponto de segurança.

A obediência não dispensa a firmeza.
Humilhada e submissa, a água se amolda a qualquer recipiente, mas, resoluta e perseverante, atravessa o rochedo.

Toda empresa solicita cultura e prática. Inexperiente, o homem vivo naufraga no bojo das águas; adaptado, o lenho morto navega na superfície do mar.

O aspecto exterior nem sempre denuncia a realidade.
O vento, supostamente vadio, trabalha na função de cupido das flores.

Volume não expressa valor.
Apesar de pequenina, a semente é gota de vida.

A palavra feliz constrói invariavelmente.
Na linguagem do pássaro, todo som faz melodia.

Valor e humildade são expressões de inteligência sublime.
Se o cume mais alto recebe a chuva em primeiro lugar, o vale mais baixo recolhe, ao fim, a maior parte da água.

Para revelar-se, o bem não exige trombeta.
Conquanto invisível, a onda de perfume, muita vez, nutre e refaz.

No campo da evolução, a paz é conquista inevitável da criatura.
A escarpa de hoje será planície amanhã.





pelo Espírito André Luiz - Do livro: O Espírito da Verdade - Médium: Francisco Cândido Xavier

FIM DA AUTOPIEDADE

im, guardar o sentimentalismo numa gaveta inacessível e voltarmos a atenção para o sentimento... do próximo. Olhemos em derredor. Quem nos cerca? Quem são eles? Do que necessitam? Conseguimos identificar os sentimentos alheios, especialmente em suas carências, angústias e necessidades? Eis o segredo do bom relacionamento. Parar com expectativas, encarar a realidade de si mesmo e voltar a atenção para os que estão próximos de nós. Especialmente os mais próximos.

Perdoar todos os dias, evitar cobranças e exigências, ser fiel às próprias crenças, obedecer ao coração, atentar para as leis humanas e divinas, pensar antes de agir e acima de tudo conhecer a si mesmo. Eis uma síntese de equilíbrio e serenidade. Para si mesmo ou nos relacionamentos.

Não enganar a ninguém, não mentir. Nas orações diárias organizar os próprios pensamentos e emoções. Da identificação dos sentimentos, identificar também as necessidades, tantos próprias quanto alheias para, enfim, enriquecer a vida.

É preciso também sempre lembrar que amigos queridos e amáveis do outro plano da vida nos cercam a vida com carinho e cuidado. Aproximam-se de nós, diariamente, para inspirar boas idéias e soluções para nossos desafios. Para isso usam os meios possíveis: abrem uma página, supostamente escolhida ao acaso, oferecem diretrizes seguras em respostas que nem sempre compreendemos de imediato.

Estejamos, pois, atentos, a esse diálogo possível com a própria consciência e com as intuições dos amigos espirituais, sempre presentes. Atentos também à experiência humana à nossa volta, aprendendo a observar sem julgar, nem comentar, justamente para retirar as lições necessárias à própria caminhada. Equilibremo-nos. Fujamos da autopiedade, da crítica ao próximo, do desânimo, da revolta, do medo e de outros sentimentos ou expressões de sentimentalismo, desnecessárias em sua maioria.

Nas discussões, aprendemos a calar. O silêncio poupa-nos de inúmeros dissabores. Compreendamos, em definitivo, que ninguém muda ninguém, mas podemos mudar a nós mesmos. Aprendamos a amar sem apego, nada exigindo de ninguém. E se queremos algo diferente, plantemos diferente para o amanhã. Não permitamos, enfim, que as ervas daninhas da descrença e da inconstância nos ameacem o esforço no bem.

E, finalmente, a orientação segura que não devemos perder de vista: se desejamos a felicidade, trabalhemos desde hoje na felicidade dos outros.
Isto envolve relacionamento, tolerância, perdão, serviço ao próximo, esforço permanente de boa ação no bem de todos. E, sem dúvida, confiança na vida. Somos todos criaturas muito amadas, carinhosamente acompanhadas da Vida Maior. Confiemos!


Nota do autor: a presente matéria é adaptação, em transcrições parciais, da Conclusão, assinada pelo Espírito Carl, no excelente livro O Passado Vive em Nós, na psicografia de Grace Khawali, edição do Grupo da Paz, e disponível em nossas conhecidas distribuidoras.





Orson Peter Carrara - texto enviado pelo autor para inclusão no site www.caminhosluz.com.br

EXAMINA-TE

"Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.” Paulo (Filipenses 2:3)


O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as idéias sadias em sua expressão substancial.

Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.

A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nesta tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.

O apóstolo Paulo compreendeu esta verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade.

Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida do teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante.

Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.





pelo Espírito Emmanuel, Do livro: Caminho, Verdade e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Frio de gelar Em Bragança

Nos últimos dias, temos passado por temperatuas extremamente baixas.
É certo que as imagens são fantásticas, muito lindo de ver, no entanto, para nós que temos que trabalhar e andar consecutivamente na estrada, não tem muito de agradável, devido não só aos despistes que acontecem com frequência, mas também aos dias seguintes em que as pessoas necessitam de andar na rua e os passeios se encontram completamente gelados.
Deixamos no entanto as imagens para que todos possam observar e deixar seus comentários.
Resignamo-nos então aos designios de Deus e deliciemo-nos com as imagens fantásticas.
Pedro Gonçalves

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

SABER E FAZER

“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” – Jesus. (JOÃO, 13:17)

Entre saber e fazer, existe singular diferença.
Quase todos sabem, poucos fazem.
Todas as seitas religiosas, de modo geral, somente ensinam o que constitui o bem. Todas possuem serventuários, crentes e propagandistas, mas os apóstolos de cada uma escasseiam cada vez mais.
Há sempre vozes habilitadas a indicar os caminhos. É a palavra dos que sabem.
Raras criaturas penetram valorosamente a vereda, muita vez em silêncio, abandonadas e incompreendidas. É o esforço supremo dos que fazem.
Jesus compreendeu a indecisão dos filhos da Terra e, transmitindo-lhes a palavra da verdade e da vida, fez a exemplificação máxima, através de sacrifícios culminantes.
A existência de uma teoria elevada envolve a necessidade de experiência e trabalho. Se a ação edificante fosse desnecessária, a mais humilde tese do bem deixaria de existir por inútil.
João assinalou a lição do Mestre com sabedoria. Demonstra o versículo que somente os que concretizam os ensinamentos do Senhor podem ser bem-aventurados. Aí reside, no campo do serviço cristão, a diferença entre a cultura e a prática, entre saber e fazer.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Caminho, Verdade e Vida)

MELINDRES

Não permita que suscetibilidades lhe conturbem o coração.
Dê aos outros a liberdade de pensar, tanto quanto você é livre para pensar como deseja.
Cada pessoa vê os problemas da vida em ângulo diferente.
Muita vez, uma opinião diversa da sua pode ser de grande auxílio em sua experiência ou negócio, se você se dispuser a estudá-la.
Melindres arrasam as melhores plantações de amizade.
Quem reclama, agrava as dificuldades.
Não cultive ressentimentos.
Melindrar-se é um modo de perder as melhores situações.
Não se aborreça, coopere.
Quem vive de se ferir, acaba na condição de espinheiro.

(Francisco Cândido Xavier por André Luiz. In: Sinal Verde)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Mansidão e Irritabilidade

"Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra."
(Mateus, V, 5.)


A delicadeza e a civilidade são filhas diletas da mansidão. Pela mansidão o homem conquista amizades na Terra e bem-aventurança no Céu. Inimiga da irritabilidade que gera a cólera, a mansidão sempre triunfa nas lutas, vence as dificuldades, enfrenta os sacrifícios.

Os mansos e os humildes de coração possuirão a Terra, porque se elevam na hierarquia espiritual e se constituem outros tantos propugnadores invisíveis do progresso de seus irmãos, guiando-lhes os passos nas veredas do Amor e da Ciência—nobres ideais que nos conduzem a Deus!

"Aprendei de mim, disse Jesus, que sou humilde e manso de coração."

É em Jesus que devemos buscar as lições de mansidão de que tanto carecemos nas lutas da vida.Embora enérgico, quando as circunstâncias o exigiam, o Sublime Redentor sábia fazer prevalecer a sua Palavra pelo poder da verdade que a embalsamava, e sem ódio, sem fel. combatia os vícios, os embustes que deprimiam as almas.

Sempre bom, lhano, sincero, caritativo, prodigalizava a seus ouvintes os meios de adquirirem o necessário à vida na Terra e a felicidade no Céu.

"Não vos encolerizeis para que não sejais condenados" .

A irritabilidade produz a cólera e a cólera é uma das causas predominantes de enfermidades físicas e males psíquicos. A cólera engendra a neurastenia, as afecções nervosas, as moléstias do coração: é um fogo abrasador que corrompe o nosso organismo, é o vírus peçonhento que macula nossa alma.

Filha do ódio, a cólera é um sentimento mesquinho das almas baixas, dos Espíritos inferiores.

Sem mansidão não há piedade, sem piedade não ha paciência, sem paciência não há salvação!
Caírbar Schutel
http://www.centroespiritafxs.com.br/Menu%20Index%20Artigos/Index%20artigos%20Pagina%201.htm

Como é uma Reunião Espírita

Os que desconhecem o Espiritismo, ficam a imaginar coisas e muitas vezes curiosos em saber como é uma reunião espírita. Que força move os espíritas a ponto de produzir neles tanto entusiasmo pela religião? Afinal, a religião não é apenas o compromisso de ir ao templo, ouvir os ensinos, colocar em prática e... tudo bem?

Meu amigo, a religião é muito mais que um mero compromisso com o templo. A religião é o sentido de sintonia com Deus ( e isto significa amor, confiança em sua Bondade, vivência solidária ) para buscar recursos de viver com harmonia. Harmonia consigo mesmo e com o próximo, para progredir, ficando ainda a compreensão do dever de auxiliar nossos companheiros de caminhada. A religião interna independe de rótulo ou embalagem, pois significa o amor a Deus, ao próximo, como a si mesmo. Desafio enorme, pois todos trazemos inúmeras mazelas internas, difíceis de serem vencidas. Se assumirmos o caráter da religião que professamos, seremos homens de bem a serviço da paz humana.

Mas aí é que surgem as dificuldades.A reunião espírita, trazendo os fundamentos do Espiritismo, visa ajudar na superação dessas dificuldades. Mostrando ao homem de onde veio, para onde vai, o que faz na Terra, e explicando as razões do sofrimento, os porquês de tantas diferenças humanas, torna claro o entendimento da questão humana. Os Centros Espíritas, inspirados na Doutrina Espírita, realizam inúmeras atividades e entre elas estão as reuniões que se classificam conforme a atividade a que se dedicam. Vamos enumerar algumas:

a) Reuniões de Estudo Doutrinário: são as mais importantes, pois visam estudar os ensinamentos dos livros da Codificação de Allan Kardec (pseudônimo de ilustre professor francês que organizou os ensinos dos Espíritos e publicou O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857), onde todos os temas humanos podem ser estudados e debatidos à luz do Espiritismo. É onde se estuda a Doutrina Espírita e se compreende seus fundamentos. São reuniões normalmente participativas, de diálogos e troca de idéias. São reuniões empolgantes, pois permitem aprofundamento das questões sob diversos ângulos, tornando-as muito agradáveis. Sendo muito dinâmicas, estão distantes da rotina ou da sonolência. São franqueadas ao público.

b) Reuniões Mediúnicas: são as reuniões de intercâmbio com os espíritos (que nada mais são que homens fora do corpo), para esclarecimento daqueles que se encontram perturbados ou em sofrimento e para estudo dos participantes. São reuniões privativas, em face do caráter socorrista que apresentam, pedindo conhecimento e preparo dos participantes. Mas ocorrem com a maior naturalidade, distantes de qualquer misticismo ou sensacionalismo.

c) Reuniões de Assistência Espiritual: são as chamadas reuniões de passes. Passes são transmissões de energias fortalecedoras para quem se encontra enfermo ou perturbado. Os passes são facultativos, ou seja, recebe apenas quem quer, quem se sente necessitado desse recurso. Mas os passes são recursos de superfície, paliativos, de socorro imediato, pedindo outras providências para casos mais graves.

d) Reuniões de Divulgação: são as palestras, eventos, encontros, debates. Muito úteis, pois proporcionam grandes aprendizados.
Os espíritas estudam muito, continuamente. Os livros espíritas trazem muito ensinamento e vislumbram horizontes de paz e felicidade, pelo conforto que trazem e pela clareza que traduzem. Por isto, os espíritas estão sempre entusiasmados, pois aprendem muito. E você sabe, quem lê, viaja. Mas o bom mesmo é que todo este conforto e sabedoria que os livros trazem, estão perfeitamente embasados na lógica e no bom senso, sem ilusões, com permanente convite para a prática do bem. Como recomenda o Evangelho de Jesus. E ignoro se o leitor está informado, mas a Doutrina Espírita está totalmente alicerçada no Evangelho de Jesus. Nada inventou, apenas trouxe novas revelações e visa ajudar o homem a ser mais feliz, sem combater outras crenças, que respeita profundamente, reconhecendo a importância de cada uma na vida humana. O Espiritismo veio para aqueles que estão insatisfeitos com suas crenças e buscam respostas para seus questionamentos íntimos.
Conheça o Espiritismo, mesmo que seja a título de cultura geral, pois o Espiritismo deixa a você a liberdade de opção em aceitá-lo ou rejeitá-lo, jamais obrigando ninguém a seguí-lo.

Orson Peter Carrara

(Texto disponível em www.caminhosdaluz.com.br.)

A inclusão da espiritualidade na medicina como fator promotor de saúde

Médica norte-americana conduz há mais de dez anos projetos de
integração entre espiritualidade e saúde com resultados satisfatórios


A médica norte-americana Christina Puchalski promove, desde 1996, a inserção do componente espiritual no cuidado com o paciente. Esta ação fez dela uma personalidade reconhecida internacionalmente dentre os profissionais de saúde que enxergam a diferença proporcionada pelo atendimento espiritual. De origem católica, Dra Christina Puchalski é associada do Departamento de Medicina e Ciências do Cuidado da Saúde da Escola de Medicina da Universidade George, em Washington D.C, nos Estados Unidos. Ela também é fundadora e diretora do Instituto George Washington para Espiritualidade e Saúde (GWish), um centro que promove programas de pesquisa educacional e clínica para médicos e profissionais de saúde visando o papel da espiritualidade e saúde na medicina. Seu objetivo é ajudar a complementar sistemas de cuidados para pacientes e seus familiares.
Dra. Puchalski completou sua graduação em Bioquímica e Mestrado em Biologia na Universidade de Los Angeles. Antes da escola médica, ela trabalhou como cientista adjunta na área de Bioquímica e Biologia Molecular no National Institutes of Health. Em 1996, ela recebeu o prêmio outorgado pela Fundação John Templeton pelo curso de medicina e espiritualidade em que lecionava na Escola de Medicina da Universidade George Washington. As pesquisas conduzidas pela Dra. Puchalski objetivavam o papel da espiritualidade no cuidado de saúde, especialmente em relação ao término da vida; assuntos pertinentes a cuidados paliativos; o papel do clero na saúde e no cuidado a pacientes terminais; e avaliação de programas de educação em espiritualidade e medicina. Suas publicações variam de pesquisas básicas em bioquímica a assuntos sobre espiritualidade e cuidados de saúde.
A Espiritualidade é reconhecida como um fator que contribui para a saúde de muitas pessoas. O conceito de espiritualidade é encontrado em várias culturas e sociedades. Também é expresso como a busca individual pelo sentido religioso através da crença em Deus, família, racionalismo, humanismo e artes. Todos estes fatores podem influenciar como pacientes e profissionais de saúde percebem o binômio saúde – doença e como eles interagem um com o outro.
O Instituto George Washington para Espiritualidade e Saúde (GWish) foi fundado em maio de 2001, como uma organização líder para a educação e assuntos clínicos relacionados a espiritualidade e saúde. Sob a direção da Dra Christina Puchalski, a instituição está mudando o paradigma do cuidado com a saúde através de programas inovadores para médicos e outros profissionais, incluindo membros religiosos. Este trabalho pioneiro tem um grande impacto na educação médica não apenas nas universidades americanas, mas também em nível internacional.
A edição de 2001 do Jornal de Medicina Paliativa faz uma menção ao trabalho da Dra Puchalski, em um artigo que explora a intersecção entre espiritualidade e cuidado de saúde. Com o título, "Taking a Spiritual History Allows Clinicians to Understand Patients More Fully" (Levantar a história espirtual do paciente permite que os médicos entendam os pacientes integralmente), aparece no mesmo artigo uma entrevista direcionada aos médicos sobre como avaliar espiritualmente o paciente.
O currículo da Dra. Christina Puchalski inclui várias apresentações em escolas médicas e conferências nacionais sobre espiritualidade e cuidados de saúde, cuidados paliativos, avaliação da espiritualidade do paciente e cursos curriculares de aprimoramento em medicina e espiritualidade. Seu trabalho já foi apresentado em várias emissoras e jornais americanos.

Os Benefícios Médicos da Fé – Os médicos podem sentir-se seguros com a abordagem espiritual: uma análise de 42 estudos englobando mais de 125 mil pacientes foi publicada na edição de junho de 2000, da “Health Psychology”. O resultado apontou que todos os que tinham algum tipo de envolvimento religioso vivem mais – muito embora não tenha sido questionado se a longevidade decorre da fé ou do meio o qual o paciente está inserido.
Mais de dois terços dos pacientes tratados pela Universidade de Pensilvânia, nos EUA, disseram que ao serem questionados sobre suas crenças, aumentava a confiança no médico, o que ficou relacionado a melhores resultados, de acordo com estudos. Puchalski ainda comenta que levantar a história spiritual não é sabatinar a afiliação religiosa do paciente. O objetivo é identificar o que é importante a um paciente e como estas crenças e valores podem atuar no modo pelo qual o paciente lida com a doença. E deve-se ficar claro que o médico não atua como pastor espiritual e sim, ter o propósito de abrir as portas para esta abordagem.
Nos Estados Unidos, a conexão entre espiritualidade e a saúde atrai a atenção de muitas pessoas, estejam ela no meio cientifico ou não. As evidências positivas entre a relação religião e espiritualidade crescem exponencialmente. Muitas pesquisas surgiram nos últimos 20 anos para documentar os anseios dos pacientes em tratar assuntos espirituais com seus médicos. Outras pesquisas apontam que 75% dos americanos dizem que a religião tem papel fundamental em suas vidas, sendo que a grande maioria destes acredita que sua fé pode ajudá-los a se recuperar de suas doenças. Esta equivalência também aparece em pacientes com patologias oncológicas, que relataram mais conforto, com mais satisfação, felicidade e conseqüente diminuição da dor.
A Dra Christina Puchalski estará presente no 2º Congresso Médico Espírita que acontece nos Estados Unidos e aborda a temática da fé e espiritualidade na medicina. É fundamental o conhecimento de que o país norte-americano que sedia o congresso está com a mentalidade aberta para os benefícios que surgem com a inserção de valores antes não incluídos à saúde. Hoje, mais de trinta cursos de Medicina nos EUA abordam a espiritualidade através de palestras e até mesmo de disciplinas obrigatórias no currículo acadêmico. A prática visa muito mais que apenas conhecer qual a religião do paciente: o objetivo maior é a cura da alma, através do conhecimento das crenças e de como a espiritualidade pode fazer parte de exames clínicos regulares.
Artigo Retirado do site Associação Médico- Espirita do Brasil

por: Giovana Campos
http://www.amebrasil.org.br/portal/?q=node/117

Saúde e Espiritualidade

Edição 47 - Abril 2006

Religião e epilepsia
Estrutura mental da espiritualidade e seu papel evolutivo ainda são um mistério.
por Edson Amâncio

Um dos temas atuais mais palpitantes em neurociências é saber "onde" estão as redes neurais cerebrais que codificam a crença (ou a fé). Localizacionistas apostam no lobo temporal, e tal convicção se fundamenta na religiosidade das pessoas que sofreram lesão nessa área.

Trabalhos científicos enfatizam o fato de que portadores de epilepsia do lobo temporal desenvolvem religiosidade exacerbada. Entre casos famosos mencionados encontra-se o pintor Vincent Van Gogh. Qual teria sido a origem do seu fervor religioso, levando-o a tornar-se um pregador tão obstinadamente preocupado com seus deveres que acabou expulso de sua seita?

Numa tentativa de compreender melhor o fervor religioso despertado em pessoas com lesão temporal o neurologista Vilayanur Ramachandran estudou dois pacientes epiléticos do lobo temporal, ambos com tendência espiritualista exacerbada. Submeteu-os a um experimento simples, conectando-lhes ao braço um eletrodo que capta impulsos elétricos na pele quando a pessoa é envolvida por alguma emoção. Numa tela de computador assistiam a figuras neutras (como bola de tênis, árvore e quadro-negro) intercaladas com imagens de sexo, violência, símbolos religiosos e palavras alusivas a Deus. Para surpresa dos examinadores, os impulsos mais intensos não se deram com cenas violentas ou eróticas: naqueles dois epiléticos do lobo temporal, a intensidade aumentava nitidamente quando os pacientes viam imagens religiosas.

Assim, seria lícito supor - por mais absurdo que possa parecer - que existem áreas no cérebro cujos circuitos são especializados em fé ou apego religioso? É exatamente aí que se inicia a penumbra do nosso conhecimento. Talvez por isso os neurocientistas tenham se negado sistematicamente a dedicar tempo de pesquisa ao tema.

Um epilético com lesão no lobo temporal e que desenvolvera religiosidade exacerbada quando não havia nele nenhum vestígio de interesse religioso antes da cirurgia causadora da lesão contou-me que, ocasionalmente, sofre uma crise em que tem a nítida sensação de sair do corpo, uma evidente sensação extra-sensorial. Relatos como esse se encaixam na experiência tornada pública em 2001 por Olaf Blanke. Ele colheu o extraordinário relato de uma paciente que passou por uma experiência extra-sensorial quando teve o giro angular direito estimulado por uma corrente elétrica. Ela estava se submetendo a cirurgia de crânio para a retirada de áreas geradoras de descargas epiléticas no lobo temporal.

Esse tipo de operação geralmente se faz sob anestesia local, pois é importante que o paciente esteja acordado para orientar os médicos quanto à sensação experimentada em cada área estimulada. Assim, colocam-se delicadamente eletrodos sobre o córtex cerebral, e desencadeia-se uma estimulação elétrica enquanto se aguarda a reação do paciente. Dessa forma, faz-se um mapa das áreas cerebrais próximas à lesão, permitindo identificar o local, remover precisamente a área afetada e preservar as áreas sadias das vizinhanças.

Quando neurocirurgiões estimularam o giro angular (região próxima à porção mais posterior do lobo temporal), a paciente relatou a sensação de levitar. Os estímulos foram repetidos várias vezes, e, numa delas, ela se referiu à sensação extracorpórea; estava a cerca de 2 metros distante do próprio corpo, perto do teto da sala, observando os médicos operar sua cabeça.

Até que ponto o resultado desses experimentos se superpõem? Pode uma avaria nas redes neurais que parecem governar a fé desencadear uma crença que não existia ou estava adormecida? E qual o papel do giro angular na sustentação da imagem corporal? Por que a estimulação dessa área cortical projeta para o paciente sua imagem fora do corpo? Que papel a evolução atribuiu ao lobo temporal no controle das nossas crenças? Se nossos genes são de fato "egoístas", a que atribuir a crença ilimitada em outra vida, em outra dimensão? E por que tais crenças se tornam acentuadas quando estruturas do lobo temporal são atingidas? Respostas a essas questões talvez sejam um dos maiores desafios para as neurociências.

Revista Scientific American Brasil
Edson Amâncio - neurocirurgião do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, é doutor pela Unifesp e autor de “O homem que fazia chover” (Barcarolla, 2006).

Ciência e Espiritualidade - FÉ E CIÊNCIA

O Deus de Einstein
Como o maior de todos os gênios lidava com as questões metafísicas da humanidade. E o que o seu conceito pessoal do Todo-Poderoso pode ensinar à tropa de choque dos cientistas-ateus do século 21.
Marcelo Damato
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Galileu de novembro/2007.
Em meados dos anos 1930, o diplomata e mecenas alemão conde Harry Kessler (1868-1937) chegou para o já renomado Albert Einstein e lançou: "Professor, ouvi dizer que você é profundamente religioso". Sem se alterar, o cientista respondeu: "Sim, você pode dizer isso. Tente penetrar, com os nossos meios limitados, os segredos da natureza. Você vai descobrir que, por trás de todas as concatenações discerníveis, há algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração a essa força que está além de tudo o que podemos compreender é a minha religião. Até certo ponto, de fato, eu sou religioso".
Apesar de um tanto escorregadia, a resposta - e outras declarações ao longo da sua vida - não dá muita margem a dúvidas: Einstein acreditava em Deus. Embora seja bem menos complicada de entender do que a Teoria da Relatividade, a idéia que o cientista desenvolveu do Todo-poderoso é cheia de sutilezas e meios-tons. Isso fez com que, assim como suas descobertas científicas, seus conceitos religiosos gerassem controvérsias e discussões que chegam acesíssimas aos dias de hoje.
Fonte: Revista Galileu

- Pena de morte: solução ou adiamento do problema?

Não paira qualquer dúvida que a pena de morte é um dos assuntos mais comentados nos dias atuais, em face da crescente criminalidade, sendo que, equivocadamente, conforme o IBOPE contabilizou no ano de 1999, 63% (sessenta e três por cento) dos brasileiros são a favor da pena capital. Certamente, os brasileiros que apóiam a pena de morte como forma de erradicar o crime de nossa comunidade desconhecem a ineficácia de tal medida extrema, bem como ignoram a realidade do espírito imortal, o qual foi criado por Deus, simples e ignorante, para alcançar a relativa perfeição através das múltiplas vidas. Com efeito, convém ponderar que nos dias de hoje, aproximadamente 91 países adotam a pena de morte, todavia, tal penalidade não teve o condão de diminuir a criminalidade, porquanto, trata-se de problema de evolução espiritual e adequada educação, sem falar nos custos que envolvem uma execução (nos Estados Unidos gastam-se 2,5 milhões de dólares em uma execução) e a falibilidade da justiça. Não tenho dúvida alguma que, com a divulgação da religião espírita, a referida estatística sofrerá drástica modificação, haja vista que os defensores da pena de morte entenderão que o criminoso, na verdade, é um espírito milenar, filho de Deus, que está em processo de aprendizagem e em virtude da lei divina do progresso, um dia, seja nesta vida ou em outra, aprenderá a amar, de forma que o Estado deve oferecer os recursos necessários para que tal recuperação se concretize, permitindo, por exemplo, aulas de religião nos estabelecimentos penitenciários, para que o reeducando possa ouvir falar da figura notável de Jesus. Ademais, aprendemos com a Doutrina Espírita que não adianta matar fisicamente o criminoso, posto que este despertará no mundo espiritual com as mesmas tendências e afinidades, sendo que continuará a incitar a criminalidade através da influência espiritual, pois certamente encontrará indivíduos com propensão ao crime (lei de afinidade). Destarte, é preferível que tenhamos os criminosos sob a nossa tutela, encarcerados, para que possamos tentar recuperá-los da ignorância e do equívoco.
Artigo retirado do site da ABRAME (Associação Brasileira de Magistrados Espiritas)
http://www.abrame.org.br/

A Natureza é assim... Deus nos ensina se soubermos estar atentos...

A Natureza é assim... Deus nos ensina se soubermos estar atentos...
"Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro mandamento; Instruí-vos, eis o segundo."

Vale a pena

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Se o amor se vai

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