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domingo, 20 de julho de 2008

NÃO CREAIS EM TODOS OS ESPÍRITOS

"Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus." - I João, 4: 1.

...O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos
e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas idéias. Antes que se conhecessem as ralações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus. São João adverte contra eles os homens. dizendo: "Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas, experimentai se os espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. O Esíritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais, nunca materiais (Ver, sobre a maneira de se distinguirem os Espíritos: O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIV e seguintes). É à meneira de se distinguirem dos maus os bons Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: "Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore má não os pode produzir bons." Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos. - O Evangelho Seg. Espiritismo, cap. XXI, item 7.

Os novos discípulos do Evangelho, em seus agrupamentos de intercâmbio com o mundo espiritual, quase sempre manifestam ansiedade em estabelecer claras e perfeitas comunicações com o Além.
Se muitas vezes aparecem fracassos, nesse particular, se as experimentações são falha de êxito, é que, na maioria dos casos, o indagador obedece muito mais ao egoísmo próprio que ao imperativo edificante.
O propósito de exclusividade, nesse sentido, abre larga porta ao engano. Através dela, malfeitores com instrumentos nocivos podem penetrar o templo, de vez que o aprendiz cerrou os olhos ao horizonte das verdades eternas.
Bela e humana a dilatação dos laços de amor que unem o homem encarnado aos familiares que o precederam na jornada de Além-Túmulo, mas é inaceitável que o estudante obrigue quem lhe serviu de pai ou de irmão a interferir nas situações particulares que lhe dizem respeito.
Haverá sempre quem dispense luz nas assembleias de homens sinceros. O programa de semelhante assistência, contudo, não pode ser substancialmente organizado pelas criaturas, muita vez inscientes das necessidades próprias. Em virtude disso, recomendou o apóstolo que o discípulo atente, não para quem fale, mas para a essência das palavras, a fim de certificar-se se o visitante vem de Deus.
- Caminho, Verdade e Vida-Emmanuel/Chico Xavier, lição: Comunicações -

"O século em que ora respira o nosso mundo poderá ser cognominado de - O SÉCULO DA VAIDADE. Nos múltiplos setores da vida cotidiana, em seus aspectos mais diferenciados e profundos, poder-se-á averiguar a veracidade desse asserto.
Particularizando a questão ao âmbito de nossa comunidade espírita, observamos, com infinita tristeza, a proliferação daninha dos vírus desse mal, que se apossam de numerosos irmãos menos precavidos, fazendo que a dúvida, a desconfiança, a confusão, enfim, penetrem nos corações poucos avisados.
Um dos veículos característicos de sua disseminação está, sem dúvida, consubstanciado nas imensas reservas inferiores do amor-proprio. É este o seu agente mais comum, que, paulatinamente, sob diferentes máscarás, se vai inflitrando, dum modo tão insinuante que chega a ser quase imperceptível, nos recessos mais absconsos do ser humano; - é o desejo incontido e avassalante de querer aparecer; a ânsia das coortes, dos aplausos, dos elogios e das pompas.
Não fôsse a vigilância carinhosa dos comandados de Ismael, e talvez que, há muito tempo, estivessem instalados, no seio de nossos próprios círculos neo-espiritistas, o "Santo Ofício". os "batistérios", as "crismações", etc. Para alcançar a gloríola passageira e ilusória do orbe, não falta quem se encoraje a lançar mão de todos os meios e modos, por incompatíveis que sejam com a sã moral ou com os legítimos critérios do bom-senso.
Chega-se atualmente aos absurdos das mais extravagantes criações ideológicas, de cunho pessoal, no que concerne ao campo doutrinário, e isso, com a auréola farfalhante da originalidade e da fama, como se a Doutrina dos Espíritos fôsse doutrina de homens, e homens tanto mais falíveis quanto mais intoxicados de presunsão.
Em suma: a vaidade ameaça o sacrifício das verdades puras do Consolador Prometido, na luta por sobressair-se e dominar, e o homem já não parece disposto a servir, no clima da obscuridade, como ativo e mero instrumento de Mais Alto.
É, pois, a humildade um dos maiores problemas de hoje, como o foi ontem e será, provavelmente, do próximo amanhã. Mas é problema que só pode ser resolvido quando o queiramos examinar conscienciosamente, à luz eterna dos Evangelhos do Cristo.
Veja, quem tem olhos de humildade para ver..."
- O texto é de o Reformador-FEB, agosto de 1949 - de Túlio Campos

Enviado pelo irmão e amigo Braz José Marques

OFENSAS

Ofensas ? Revisemos o nosso próprio comportamento no cotidiano e não se nos fará difícil desculpar a esse ou aquele companheiro, quando nos julguemos feridos por atitudes que hajam tomado contrariamente aos nossos interesses.
Recordemos quantas vezes teremos desapontado corações amigos com palavras ou gestos que nos escapam, quase que sem qualquer participação de nossa vontade consciente.
Imaginemos quão felizes nos sentimos, quando alguém perdoa as puerilidades ou agressões daqueles que se nos fazem os entes mais queridos.
Rememoremos as ocasiões em que fomos vítimas de nossas próprias interpretações errôneas, acerca do procedimento alheio e cultivemos o bem, sistematicamente, porque, em se tratando do mal, é justo observar que unicamente nos identificaremos com o mal, na medida em que o mal se esconde por dentro de nós.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Neste instante)

ALIENAÇÃO MENTAL

Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos.

É assim que atravessam as cinzas da morte, em perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagram no mundo à crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos outros.

Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com peçonhento apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que perverteram a autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão, agravando a penúria do próximo, profissionais do direito que buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura que trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso, artistas que venderam a sensibilidade e a cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e mulheres que trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio ou na delinqüência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando, depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e remorso, arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que se lhes agregam os pensamentos.

E a única terapêutica de semelhantes doentes é a volta aos berços de sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso físico – cela preciosa de tratamento –, na condição de crianças-problema em dolorosas perturbações.
Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no eclipse da razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre, laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto auxiliamos irrefletidamente a perder e que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando entendimento e carinho, para que se refaçam, na clausura da inibição e da idiotia, para a bênção da liberdade e para a glória da luz.





Do livro "Religião dos Espíritos", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

HONESTIDADE

A humanidade cada vez mais demonstra preocupação com questões transcendentes da vida.

A consciência de que viver não se resume a aspectos materiais se dissemina pela sociedade.

Fala-se em entrar em contato com a própria essência, em desenvolver a espiritualidade.

Independentemente de filiação a determinada corrente religiosa, a ampla maioria afirma acreditar em uma força superior.

Isso revela as criaturas buscando identificar a razão de sua existência.

Como tudo no universo encontra-se em constante metamorfose e aprimoramento, conclui-se que o progresso é uma das finalidades da vida.

O anseio pelos aspectos sublimes da existência demonstra justamente as criaturas em pleno processo evolutivo.

Mas é importante recordar que a evolução dá-se de modo cadenciado.

Na natureza não ocorrem saltos.

As espécies não se transformam repentinamente.

Determinadas etapas devem ser vencidas para ser possível atingir-se a fase seguinte.

É como a construção de uma casa: ninguém inicia pelo acabamento.

Faz-se necessário antes providenciar sólida estrutura.

O mesmo ocorre com o psiquismo das criaturas.

A identificação com as faixas superiores da vida pressupõe o domínio de aspectos básicos do viver.

A harmonia e a paz são o resultado de vivências nobres do espírito.

Tais conquistas não são improvisáveis e nem surgem de um momento para o outro.

Assim, ao preocupar-se com questões transcendentes, não esqueça coisas elementares.

A honestidade é justamente uma das primeiras virtudes a serem conquistadas por quem deseja a paz e a felicidade.

O céu não é um local determinado no espaço, mas um estado de consciência, de harmonia com as leis divinas.

Mas não é possível harmonizar-se com tais leis sem o rigoroso atendimento dos próprios deveres.

Ser honesto implica demonstrar lealdade em todos os aspectos da existência.

O homem honesto realiza as tarefas que lhe cabem, com ou sem testemunhas.

Ele não inventa desculpas para avançar sobre o patrimônio do vizinho.

Infelizmente, nossa sociedade vive uma grande crise ética.

Ao tempo em que demonstram indignação com a desonestidade alheia, os indivíduos são com freqüência desleais em seus negócios particulares.

Muitas vezes, quem reclama dos políticos não paga corretamente seus impostos.

Inúmeros estudantes bradam contra a falta de ética de governantes e empresários, mas colam nas provas e copiam as tarefas dos colegas.

Esse gênero de conduta sinaliza apenas hipocrisia.

Como afirmou Jesus, é necessário dar a César o que é de César.

Ao agir honestamente, ninguém faz mais do que a obrigação.

Mas não há como desenvolver harmonia espiritual se nem a honestidade ainda foi assimilada.

É paradoxal fazer caridade sem pagar as próprias contas.

A torpeza dos outros não lhe serve de desculpa.

Antes de preocupar-se com a ausência de ética alheia, analise seu modo de viver.

Pense se você tem condições de assumir tudo o que faz e diz.

Pense nisso!

A lealdade irrestrita é uma recompensa em si mesma, pois confere dignidade e auto-respeito.

Assim, se você deseja viver em paz, seja honesto.

Afinal, a conquista da paz pressupõe poder observar o próprio proceder sem remorso ou vergonha.

(Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita. - www.momento.com.br )

CONSCIÊNCIA E MEDIUNIDADE

No complexo mecanismo da consciência humana, a paranormalidade desabrocha, alargando os horizontes da percepção em torno das realidades profundas do ser e da vida.

Explodindo com relativa violência em determinados indivíduos, graças a cuja manifestação surgem perturbações de vária ordem, noutros aparece sutilmente, favorecendo a penetração em mais amplas faixas vibratórias, aquelas de onde se procede antes do corpo e para cujo círculo se retorna depois do desgaste carnal.

Irradiando-se como apercebimento da própria alma em torno do mundo que a rodeia, capta e transmite impressões que propõem mais equilíbrio aos quadros da vida.

Além das manifestações peculiares aos seus atributos, enseja o intercâmbio mediúnico sem qualquer receio e ouvirás palavras alentadoras, verás pessoas queridas acercando-se de ti.

Não és uma realidade estática, terminada.

No processo da tua evolução, a mediunidade é campo novo de ação a joeirar, aguardando o arado da tua atenção.

Sem constituir-se um privilégio, é conquista que se te apresenta fascinante, para que mais cresças e melhor desempenhes as tuas tarefas no mundo.

Por ela terás acesso a paisagens felizes, a intercâmbios plenificadores, a momentos de reflexão profunda. Talvez, em algumas ocasiões, te conduza aos sítios do sofrimento e às pessoas angustiadas que também fazem parte do contexto da evolução.

Sintonizarás com a dor, no entanto, para que despertem os teus valores socorristas e ajudes, compreendendo melhor as leis de causa e efeito, que regem no universo.

Nos outros, os momentos de elevação, adquirirás sabedoria e iluminação para o crescimento eterno, conduzindo contigo aqueles que ainda não lograram caminhar sem apoio.

A mediunidade, para ser dignificada, necessita das luzes da consciência enobrecida.

Quanto maior o discernimento da consciência, tanto mias amplas serão as possibilidades do intercâmbio mediúnico.

Antes de estudar a mediunidade mais profundamente, Allan Kardec perguntou aos Mensageiros da Luz, conforme se lê no item 408, de O Livro do Espíritos:

-E qual a razão de ouvirmos, algumas vezes em nós mesmos, palavras pronunciadas distintamente, e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa?

Os Veneráveis elucidaram-no:

-É fato: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É, quase sempre, fraco eco do que diz um espírito que convosco se quer comunicar.

Conscientizando-te desta rica responsabilidade mediúnica ao teu alcance, faze silêncio interior, estuda a tua faculdade e, meditando, entra em sintonia com o teu guia espiritual a fim de que ele te conduza com segurança, iluminando e fortalecendo a tua consciência.






pelo Espírito Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo P. Franco - do livro: Momentos de Consciência

terça-feira, 1 de julho de 2008

NO CORREIO FRATERNO

Meu amigo, diz você, em vernáculo precioso, que a crença nos Espíritos desencarnados é característico de miséria intelectual.

Em sua conceituação de garimpeiro da retórica, os problemas do Espiritualismo contemporâneo se resumem a uma exploração de baixa estirpe, alimentada por uma chusma de idiotas, nos quais o sofrimento ou a ignorância galvanizaram o complexo da fé inconsciente.

Com a maior sem-cerimônia deste mundo, assevera você que a convicção dos espiritistas de hoje é uma peste mental, surgida com Allan Kardec, no século passado, e acentua que o pensamento aristocrático da antiguidade jamais cogitou de semelhante movimentação idealística.

O seu noviciado no assunto é claro em demasia para que nos disponhamos a minuciosa esclarificação do pretérito.

Se puder escutar-nos, no entanto, por alguns momentos, não nos meta a ridículo se lembrarmos que a idéia da imortalidade nasceu com a própria razão no cérebro humano.

Não sei se você já leu a história do Egito, mas, ainda mesmo sem a vocação de um Champollion, poderá informar-se de que, há milênios, a nobreza faraônica admitia, sem restrições, a sobrevivência dos mortos, que seriam julgados por um tribunal presidido por Osíris, dentro do mais elevado padrão de justiça.

Os grandes condutores hindus, há muitos séculos, chegavam a dividir o Céu em diversos andares e o Inferno em vários departamentos, segundo as Leis de Manu.

Os chineses, não menos atentos para com a suprema questão, declaravam que os mortos eram recebidos, além do túmulo, nos lugares agradáveis ou atormentados que haviam feito por merecer.

Os romanos viviam em torno dos oráculos e dos feiticeiros, consultando as vazes daqueles que haviam atravessado o leito escuro do rio da morte.

Narra Suetônio que o assassínio de Júlio César foi revelado em sonhos.

Nero, Calígula e Cômodo eram obsidiados célebres, perseguidos por fantasmas.

Marco Aurélio sente-se inspirado por entidades superiores, legando suas reflexões à posteridade.

Na Grécia, os gênios da Filosofia e da Ciência formulam perguntas aos mortos, no recinto dos santuários.

Tales ensina que o mundo é povoado por anjos e demônios.

Sócrates era acompanhado, de perto, por um Espírito-guia, a ditar-lhe conselhos pertinentes à missão que lhe cabia desempenhar.

Na Pérsia, o zoroastrismo acende a crença na lei de retribuição, depois do sepulcro, sob a liderança de Ormuzd e Arimã, os doadores do bem e do mal.

Em todos os círculos da cultura antiga e moderna, sentimos o sulco marcante da espiritualidade na evolução terrestre.

Acima de todas as referências, porém, invocamos o Evangelho, em cuja sublime autoridade você se baseia para menosprezar a verdade.

O Novo Testamento é manancial de Espiritismo divino.

O nascimento de Jesus é anunciado, por vias mediúnicas, não só à pureza de Maria, mas à preocupação de José e à esperança de Isabel, Ana e Simeão.

Em todos os ângulos da passagem do Mestre, há fenômenos de transubstanciação da matéria, de clariaudiência, de clarividência, de materialização, de cura, de incorporação, de levitação e de glória espiritual.

Em Caná, transforma-se a água em vinho; junto à corrente do Jordão, fazem-se ouvir as vazes diretas do Céu; no Tabor, corporificam-se Espíritos sublimados; em lugares diversos, entidades das trevas apossam-se de médiuns infelizes, entrando em contacto com o Senhor; no lago, o Cristo caminha sobre a massa líquida e, depois do Calvário, surge o Amigo Celeste, diante dos companheiros tomados de assombro, demonstrando a ressurreição individual, além da morte...

Tudo isto é realidade histórica, insofismável, mas você afirma que para crer em Espíritos será necessário trazer complicações na cabeça e chagas na pele.

Não serei eu, “homem-morto” há dezesseis anos, quem terá a coragem de contradizê-lo.

Naturalmente, se este correio de fraternidade chegar às suas mãos, um sorriso cor-de-rosa aparecerá triunfante em suas bochechas felizes; mas não se glorie, excessivamente, na madureza adornada de saúde e dinheiro, porque embora eu deseje a você uma existência no corpo de carne, tão longa quanto a de Matusalém, é provável que você venha para cá, em breves dias, ensaiando o sorriso amarelo do desencanto.






Do livro Pontos e Contos - Pelo Espírito Irmão X - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

DIAS DE SOMBRA

"A luz divina envolve-me, e rompe as trevas exteriores que teimavam sitiar-me na amargura. Deixo-me clarear, e todas as dificuldades se desfazem, ensejando-me ver melhor o programa da existência.
O pessimismo desaparece e a irritação se acaba.
Estou destinado ao êxito, que buscarei com a mente enriquecida de entusiasmo.
Banho-me de luz externa e sou luz interior."

Coincidentemente, há dias que se caracterizam pela sucessão de ocorrências desagradáveis. Nada parece dar certo.

Todas as atividades, se confundem, e os fatos se apresentam deprimentes, perturbadores.

A cada nova tentativa de ação, outros insucessos ocorrem, como se os fenômenos naturais transcorressem de forma contrária.

Nessas ocasiões as contrariedades aumentam, e o pessimismo se instala nas mentes e na emoção, levando-as a lembranças negativas com presságios deprimentes.

Quem lhe padece a injunção tende ao desânimo, e refugia-se em padrões psicológicos de auto-aflição, de infelicidade, de desprezo por si mesmo.

Sente-se sitiado por forças descomunais, contra as quais não pode lutar, deixando-se arrastar pelas correntes contrárias, envenenando-se com o mau humor.

São esses, dias de provas, e não para desencanto; de desafio, e não para a cessação do esforço.

Quando recrudescem as dificuldades, maior deve ser o investimento de energias, e mais cuidadosa a aplicação do valor moral na batalha.

Desistindo-se sem lutar, mais rápido se dá o fracasso, e quando se vai ao enfrentamento com idéias de perda, parte do labor já está perdido.

Nesses dias sombrios, que acontecem periodicamente, e às vezes se tornam contínuos, vigia mais e reflexiona com cuidado.

Um insucesso é normal, ou mesmo mais de um, num campo de variadas atividades.

Todavia, a intérmina sucessão deles pode ter gênese em fatores espirituais perniciosos, cujas personagens se interessam em prejudicar-te, abrindo espaços mentais e emocionais para intercâmbio nefasto contigo, de caráter obsessivo.

Quanto mais te irritares e te entregares à depressão, mais forte se te fará p cerco e mais ocorrências infelizes tomarão forma.

Não te debatas até a exaustão, nadando contra a correnteza. Vence-lhe o fluxo, contornando a direção das águas velozes.

Há mentes espirituais maldosas, que te acompanham, interessadas no teu fracasso.

Reage-lhes à insídia mediante a oração, o pensamento otimista, a irrestrita confiança em Deus.

Rompe o moto-contínuo dos desacertos, mudando de paisagem mental, de forma que não vitalizes o agente perturbador.

Ouve uma música enriquecedora, que te leve a reminiscências agradáveis ou a planificações animadoras.

Lê uma página edificante do Evangelho ou de outra Obra de conteúdo nobre, a fim de te renovares emocionalmente.

Afasta-te do bulício e repousa; contempla uma região que te arranque do estado desanimador.

Pensa no teu futuro ditoso, que te aguarda.

Eleva-te a Deus com unção e romperás cadeias da aflição.

Há sempre Sol brilhando além das nuvens sombrias, e, quando ele é colocado no mundo íntimo, nenhuma ameaça de trevas consegue apagar-lhe, ou sequer diminuir-lhe a intensidade da luz.

Segue-lhe a claridade e vence o teu dia de insucessos, confiante e tranqüilo.





pelo Espírito Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo P. Franco – Momentos de Saúde

Espiritismo sem espíritos não tem graça... Por que muitos espíritas insistem em tirar os espíritos do Espiritismo?

Eu não conheço um caso, sequer, de algum espírita que tenha feito alguma coisa de destaque, pela doutrina, que não tenha inúmeros espíritas que não goste dele e até mesmo inimigos. Desde o tempo de Kardec, quando ele foi a primeira vítima (vide “Obras Póstumas”) em toda a história do Espiritismo, quem quiser pesquisar sobre isto que pesquise e veja se tenho ou não razão em fazer esta afirmativa.
É muito comum ouvirmos determinadas lideranças “espíritas” afirmarem: “Não quero nem ouvir falar no nome de Fulano aqui neste centro”, “Livro de Cicrano aqui não entra”, “Beltrano não faz palestra aqui em nosso centro, nem pintado de ouro”.

É lamentável porque muitos espíritas notáveis se deixaram calar pela presunção de alguns outros. Mas, felizmente, existem espíritas “chatos” que não se calam nunca e insistem em abrir a boca porque sabem que, embora haja tanta incoerência e contradição em nosso movimento, há também muita gente sensata, honesta, digna e inteligente que analisa os confrades pelo conteúdo e não pela forma.
Eu, que sou um destes que alguns, se pudessem, já teriam lançado à fogueira da inquisição, muito “fraternalmente”, de forma destemida insisto em escrever os meus artigos, fazer os meus comentários e até colocar-me a disposição de todos, amigos e desafetos, para que contestem o que estou escrevendo. Caso alguém consiga ter argumentos consistentes que comprovem que eu realmente esteja errado em algum conceito emitido, acerca do Espiritismo, podem todos ter a certeza de que retificarei o artigo, sem ficar com raiva do contestador, mandarei novamente para todo mundo, agradecerei ao contestador por me ensinar o correto sobre o ponto abordado e ainda pedirei desculpas em público pela falha cometida por mim. Não consigo ver sensatez em alguém ficar com raiva de quem lhe corrige, com colocações que de fato fazem sentido, o que não quer dizer que deva aceitar supostas correções que nada mais são do que “opiniões pessoais”, “visões particulares” ou até achismo de determinado companheiro que entende ser a sua visão da doutrina a correta.
Vamos ao assunto de hoje:
Por que Espiritismo sem Espíritos?
Tem sentido restringirem e até cercear as manifestações dos espíritos?
Há muitos anos temos verificado, no movimento espírita, um modismo que diz mais ou menos o seguinte: “a época dos fenômenos já passou, agora estamos vivendo a época do estudo, a época da nossa reforma íntima”.
Leram sobre isto e chegaram à conclusão de que a manifestação de espíritos é fenômeno e, porque foi dito que o Espiritismo viveria uma fase onde o interesse maior seria pelos fenômenos, depois passaria a uma outra fase, determinaram que essa época deve ser totalmente extinta, que não se pode mais falar em fenômenos e que tudo o que pode ser considerado como fenômeno deve ser abolido do Espiritismo.
Você já reparou que conceituação mais maluca? Que conclusão mais superficial, sem preocupação com as conseqüências?
Se recorrermos ao dicionário, encontraremos a expressão fenomenal significando: algo extraordinário, surpreendente, espantoso, admirável, fantástico...
E aí eu pergunto a você, praticante do Espiritismo:
Você vê a comunicação de encarnado com desencarnado como coisa extraordinária, surpreendente, espantosa e fantástica?
Eu, sinceramente, não vejo. Muito pelo contrário, vejo como algo normal e natural, que deveria ser praticado no mundo sem qualquer formalidade, ritual e procedimento religioso.
É simplesmente a visão pessoal do Alamar?
Pode ser sim, uma visão pessoal do Alamar, mas dentro de uma conceituação baseada no fato de que a Doutrina Espírita nos ensina que os espíritos desencarnados são exatamente as mesmas pessoas que conviveram conosco, mantendo os mesmos gostos, o mesmo nível moral, cultural e intelectual, as mesmas manias, paixões, os mesmos apegos, os mesmos valores, características e particularidades.
Então, dentro desta conceituação, questionemos:
Um determinado cidadão está hoje aqui encarnado, tem o segundo grau completo, é uma pessoa alegre, alto astral, adora as músicas do Zeca Pagodinho, adora conversar sobre futebol e dedica-se horas e horas a falar sobre o seu Flamengo, já que o time é uma das maiores paixões da sua vida, sempre gosta de contar a última piada acerca do Lula, do português, do brasileiro, do papagaio e de vários outros gêneros. De repente ele desencarna, aceita a sua desencarnação, percebe a via mediúnica e resolve comunicar-se com os que aqui ainda estão.
Terá deixado de gostar do Flamengo? O seu nível escolar não será mais o segundo grau? Não gosta mais das músicas do Zeca Pagodinho e não será mais aquela pessoa alegre, só porque morreu?
O cidadão nunca conversou com os amigos e pessoas queridas de cabeças baixas e com as mãos nos rostos, em ambiente necessariamente triste, todo mundo falando baixinho e músicas do tipo “Ave Maria de Gounod” e outras que são conhecidas como músicas de oração.
Por que tem que ser sempre assim?
Que me desculpem os adeptos dos rituais “espíritas”... isto mesmo, existe sim ritual espírita... mas eu acho que devemos desdefuntar os espíritos.
Misericórdia, Alamar!!! Que diabo de palavra mais horrorosa é essa que você inventou? Desdefuntar! Que diabo é isso?
Desdefuntar, segundo diziam Voltaire, Sócrates, Goethe, Ouspenski, Confúcio, Lula e a mãe do Zé Paulo significa tirar a qualidade de defunto da pessoa desencarnada. Ou seja, parar de ver toda pessoa desencarnada como defunto.
Isto é que é uma cultura espírita, não é verdade?
Mas voltando a falar sério...
Que a tristeza se resuma apenas ao momento do velório e do sepultamento do corpo e não do indivíduo.
Queiram ou não os espíritas que insistem em chamar as comunicações mediúnicas de fenômenos, elas são comunicações normais entre criaturas espirituais.
Restringir ou cercear a comunicação de desencarnados em uma instituição espírita é uma discriminação, do mesmo jeito que discriminação é impedir que abra a boca em um centro espírita uma pessoa de cor negra, de cor loura, mulata ou que não seja do tipo A, B ou C.
Mas existe uma “justificativa” muito utilizada no movimento espírita, para impedir o contato com os espíritos:
- “O intercâmbio mediúnico é algo muito sério, devemos ter muito cuidado, temos que estar muito vigilantes para evitar o animismo e as mensagens trazidas pelos espíritos pseudo-sábios... enfim, é preferível evitar, porque o que importa é o estudo”.
Dizem que devemos ter muito cuidado com espíritos inferiores que se apresentam com nomes de personalidades conhecidas e respeitadas.
E ainda vamos mais longe quando muitos espíritas se apegam demais naquela questão que diz:
- “É preferível recusarmos nove verdades a aceitar uma mentira”.
Vocês já imaginaram se os espíritas levassem isto a sério, com todo esse rigor, quando diante das fofocas, das intrigas e das manifestações invejosas vigentes em nosso movimento espírita?
Seria uma beleza, não seria?
Por que todo esse rigor somente em relação a comunicação mediúnica?
Se observarmos o item 12 da Introdução de “O Livro dos Espíritos”, logo no seu início, vamos perceber Kardec fazendo referência a essa possibilidade de espíritos que aparecem se dizendo Sócrates, Júlio César, Carlos Magno, Fénelon, Napoleão, Washington etc...
É fato que a possibilidade do engodo existe, nos dois planos. Mas será que não conseguimos aprender, na própria obra básica, como identificarmos os espíritos? Será que somos todos espíritas bobos a ponto de nos deixar enganar por desencarnados pseudo- sábios, do mesmo jeito que muitos se deixam enganar por encarnados que dirigem instituições espíritas com moralidade de fachada?
Paremos com isto, gente!
Deixemos os espíritos se comunicarem e avaliemos cada mensagem pelo seu CONTEÚDO. Pronto, tá resolvido.
Paremos também com essa mania de pressionarmos e duvidarmos da integridade dos médiuns dos centros espíritas mais simples, quando através deles vêm mensagens que trazem assinaturas de espíritos muito conhecidos e famosos.
O Abraham Lincoln, por exemplo, está condenado a não se comunicar nunca, através de um médium, vocês sabiam?
Sinceramente, com toda franqueza, aponte um centro espírita qualquer, em qualquer lugar do mundo, onde algum médium recebesse uma mensagem mediúnica com a assinatura Abraham Lincoln, e esse não sofresse comentários e críticas pesadíssimas por parte dos participantes da mesma sessão mediúnica e todos os outros trabalhadores do centro.
Exemplifiquei o Lincoln de propósito, porque tenho uma história a contar sobre isto.
No dia 12 de maio de 1996 eu apresentava a Primeira Semana Espírita de Nova York, na Comunity Church, em Manhattan, nos Estados Unidos, um evento histórico e belo, realizado pelo Allan Kardec Spiritism Center e vários centros locais, que emocionou muita gente, quando no primeiro intervalo para o café eu fui chamado por um casal em um cantinho da igreja, para uma conversa atrás de uma coluna.
Era um casal querendo uma opinião minha e uma senhora, bastante nervosa, com umas folhas de papel enroladas na mão.
Foi o seguinte: No momento que acontecia a primeira palestra, de abertura do evento, a senhora, que estava sentada em um dos bancos, ao lado do casal, começou a tremer e, de repente, pegou o bloquinho de anotação, tomou da caneta e começou a escrever, sem nunca ter tido qualquer experiência mediúnica antes, muito menos no campo da psicografia. O casal ao lado, diante da rapidez da escrita e pela aparência da mulher, percebeu logo que se tratava de uma psicografia e começou a acompanhar a escrita até que se surpreenderam com a assinatura que a mensagem trazia: Abraham Lincoln.
Foi aí que surgiu o “problema”. A mulher só veio a saber o que tinha feito, ao despertar com aquela “coisa” escrita na mão, quando se assustou ao ver a ilustre assinatura e ao saber, pelo casal, que aquela escrita veio pela sua mão. Entrou em pranto e pediu, pelo amor de Deus, que o casal não relatasse aquilo pra ninguém, até que resolveram me falar sobre o caso, pedindo-me opinião, quando eu disse que não teria a menor condição de avaliar uma mensagem daquela. Sugeri que chamassem alguém de inglês fluente para dar ver a mensagem.
Ao ser chamado um senhor idoso, da caravana de Boston, vivido há mais de 40 anos nos Estados Unidos, inglês fluente e muita cultura local, para dar uma olhada na mensagem, ele simplesmente disse que o inglês da mensagem era perfeito e erudito, trazia expressões antigas que nem eram mais usadas pelos americanos de hoje, um nível de inglês que não seria possível ser falado normalmente por uma senhora de mais de 40 anos, que estava nos Estados Unidos há apenas três. A mensagem falava da sua alegria e emoção em ver realizada a primeira semana espírita em seu País e acrescentava que ali estavam também presentes George Washington, Johnn Kennedy, Eisenhower e outros nomes ilustres da história do País.
Quanto mais o homem falava, mais nervosa a mulher ficava, num estado de fazer pena, que piorou muito quando eu sugeri que a mensagem fosse mostrada à Norminha (Norma Guimarães, organizadora principal do evento), e que deveria ser divulgada. Ela amassou o papel na mão, ameaçando rasgar, me pedindo para que não contasse para ninguém.
Preferi fazer a sua vontade, encerramos a conversa porque eu tinha também que tomar o meu café (não dispenso nunca os lanches dos eventos, porque eu não sou besta), e teria que voltar logo ao palco. Eu tinha certeza de que ela iria se acalmar e que a mensagem terminaria chegando ao conhecimento de todos.
Ao terminar a atividade do dia, procurei pela mulher e não a vi mais. O casal disse-me que ela fora embora, dizendo que iria rasgar a mensagem e que não voltaria mais.

Raciocinemos

Façamos algumas perguntas:
A médium era trabalhadora espírita militante, experiente e conhecedora profunda da doutrina?
Não. No Rio de Janeiro, onde vivia antes, fora no máximo freqüentadora não assídua de um centro espírita; em Nova York havia ido apenas umas quatro vezes ao centro espírita.
Comunicações mediúnicas só podem vir através de médiuns altamente experientes e com um determinado número mínimo de anos qualificado como trabalhador em algum centro espírita? Só podem vir por pessoas que fazem o curso de médium, que dura anos, na Federação Espírita do Estado de São Paulo?
Não. Nada disto. Chico Xavier e Divaldo nunca fizeram curso nenhum para se diplomarem em mediunidade.
Um espírito como o Abraham Lincoln, por ser quem foi, por acaso se comunicaria através de uma “mediunzinha” qualquer, ainda mais brasileira e faxineira em Nova York, ou diria: “Só me comunico se for por Chico Xavier ou Divaldo Franco”?
Será que é assim que a coisa se processa no mundo espiritual?
Meu amigo e minha amiga:
Não quero com este relato afirmar que a mensagem era autêntica, primeiro porque eu não tinha a menor condição de avaliá-la, segundo porque mesmo que eu falasse um inglês fluente (não falo nem o básico) eu nunca estudei sobre o Lincoln para conhecer bem o seu estilo e as formas de frases que ele costumava construir. O máximo que sei é que ele realizava reuniões mediúnicas na Casa Branca.
Mas raciocinemos:
Por quais motivos um ex-presidente americano, com esse tipo de afinidade, não compareceria a um evento espírita histórico e pioneiro em seu País?
Qual o espírita, altamente entendido em Espiritismo, vai dizer que seria impossível que espíritos como Lincoln, Washington, Kennedy e outros ficarem satisfeitos com um evento daquele em Nova York, mesmo sendo realizado por iniciativa de brasileiros?
Ok. É óbvio que todos, de bom senso, aceitam a hipótese deles estarem presentes no ambiente e que um deles pode ter decidido se comunicar.
Chico Xavier não estava na platéia, Divaldo também não, porque ele não participou da primeira semana espírita de lá, participou da segunda, juntamente com José Raul Teixeira. Medrado só chegou mais tarde.
O espírito ficaria limitado a esperar que um médium de “renome” aparecesse?
Claro que não.
O que ele pode ter feito?
Já que os espíritos não discriminam ninguém, o comunicante aproveitou-se e pegou a primeira “antena” que viu no ambiente e “vai por esta mesmo”.
Qual o problema?
Repito que não quero aqui dar autenticidade à mensagem, porque o objetivo meu não é este. Apenas quero deixar claro que as conveniências dos espíritos superiores não são as mesmas nossas.
Agora, olhando pelo lado da pobre mulher que recebeu a mensagem:
Ela foi egoísta em ficar com a mensagem e não dá conhecimento a ninguém?
Claro que não, ela ficou foi muito nervosa e perturbada com medo do que os próprios espíritas poderiam fazer com ela, caso dissesse que fora portadora de uma mensagem proveniente do Lincoln.
Vale lembrar que, na véspera, o Benjamin Teixeira, (aquele menino notável de Aracajú, Sergipe, que também estava lá) havia recebido uma mensagem que era assinada por um espírito que se identificava como Erasto e os comentários não foram nada agradáveis. Muito pelo contrário.
Eu, se fosse comigo, hoje não faria o mesmo porque não tenho mais medo da perversidade que lamentavelmente existe em grande parte do movimento espírita (muito pelo contrário, encaro mesmo e solto o verbo), mas a maioria dos médiuns tremeriam de medo porque com certeza seriam vítimas da língua de muitos espíritas.
Não vamos muito longe: você, que é médium, que é do interior do Ceará, do Rio Grande do Sul, da Bahia ou que trabalha num centro espírita que considera muito simples (espírita adora dizer que o centro em que trabalha é simples e pobre) experimente dar passagem a um espírito de nome muito conhecido, como Dr. Bezerra, Joanna, André Luiz, Humberto de Campos e qualquer outro desse nível pra você ver uma coisa.
De fato vão baixar o sarrafo em você, vão dizer que você é invigilante, que está sob domínio da vaidade, que está precisando de tratamento, que tem que passar pela desobsessão e todas essas coisas, porque essa “humildade” besta que muitos espíritas praticam, que nada tem a ver com a verdadeira humildade, é uma coisa horrorosa.
O que eu fiquei mais impressionado ainda é que, falando recentemente ao telefone com a Norminha, grande e pioneira trabalhadora espírita em Nova York, e também com a Jussara Korngold, outra notável trabalhadora e tradutora de livros para o inglês, devido a fluência que tem, ambas minhas amigas queridíssimas, nenhuma das duas sabiam da mensagem, o que se conclui que ela fora para o lixo mesmo ou esteja bem guardada com essa mulher que nunca mais eu vi, nas outras viagens que fiz à Nova York.
Sabemos que a mediunidade e o espiritismo devem ser tratados com todo cuidado, mas todo excesso significa burrice.

Conclusão

Eu posso garantir aos espíritas que o Emmanuel, o André Luiz, o Dr. Bezerra e o Humberto de Campos nunca assinaram qualquer contrato de exclusividade com o Chico Xavier, em nenhum cartório de Pedro Leopoldo ou Uberaba; a Joanna de Ângelis nunca assinou qualquer contrato de exclusividade com o Di, em nenhum cartório de Salvador. É óbvio que aqueles benfeitores tiverem e continuam tendo afinidades com os médiuns citados, mas entre ter afinidade e ter exclusividade há uma diferença muito grande.
Sabem porque eles não trabalham mais nas atividades espíritas?
Porque os espíritas não deixam!
Muitos espíritas são chatos mesmo, querem saber mais de Espiritismo do que os próprios espíritos da Codificação e o próprio Kardec, não levam as suas conclusões e decisões ao crivo da lógica e do bom senso antes de praticá-las e estão travando o desenvolver do Espiritismo no mundo.
Por tudo isto quero sugerir a todos os médiuns, que têm consciência de que são pessoas estudiosas, conhecedoras da doutrina, conscientes das suas condutas morais e éticas: Não condicionem as suas mediunidades ao que os outros vão pensar ou dizer.
Se começar a ver um espírito vestido de freira, identificando, por exemplo, com a foto da Joanna de Angelis que todos nós conhecemos, não tem nada que ficar nervoso e com essa mania boba do “quem sou eu para merecer a comunicação de um espírito desse nível”. Pare com isto, deixe de palhaçada e dê passagem ao espírito. E se for ela mesmo?
Limite-se a dizer ao grupo:
- “Olhe gente: O espírito disse ser a Joanna de Angelis, estava se apresentando vestida como ela e mandou a mensagem. Agora vocês avaliem e digam o que acham. Não quero afirmar que foi ou não foi ela, apenas estou passando a mensagem”
Pronto. Qual o problema?
Jamais sejamos submissos à língua de quem quer que seja.
Deixemos os espíritos trabalhar, gente! Espiritismo sem espírito é corpo sem alma, é roseira sem rosas e é céu sem estrelas.
Tenhamos mais confiança em nós mesmos e eliminemos do movimento a triste prática de patrulhar os próprios confrades, principalmente os médiuns.
Voltemos a examinar as obras básicas e percebamos que o Espiritismo veio ao mundo através dos espíritos pela via mediúnica e relembremos bem Leon Denis quando diz que "O futuro do Espiritismo será aquilo que os espíritas fizerem dele".

Fiquemos agora com um interessante artigo escrito pelo querido amigo Alkíndar de Oliveira, este que, ao meu ver, é um dos maiores exemplos de coerência do movimento espírita.


Abração a todos

Alamar


O expositor espírita
Caros amigos espíritas, agradeço se puderem (e quiserem) repassar este
aos oradores espíritas do seu relacionamento.

DECÁLOGO DO EXPOSITOR ESPÍRITA
Alkíndar de Oliveira

I) O expositor espírita não pode transferir para os mentores espirituais o esforço e o preparo que lhe cabem.

II) O expositor espírita deve, de preferência diariamente, dedicar parte do seu tempo para:
- ler bons livros;
- meditar;
- fazer elaborações mentais;
- tirar conclusões;
- coletar frases e textos que sirvam como futuras fontes de referência, ou de inspirações, às suas palestras.

III) O expositor espírita deve preocupar-se em ter exemplar conduta e esmerar-se por colocar em prática o que prega.

IV) O expositor espírita deve:

- conscientizar-se que mesmo sendo imperfeito e vacilante em relação à sua evolução moral e espiritual, a Doutrina necessita de sua pregação;
- entender que o pouco que está fazendo em prol da Doutrina e da evolução, é muito, considerando-se que foi dado o 1º passo, pois, como disse Emmanuel: "Quando uma centésima parte do Cristianismo de nossos lábios conseguir expressar-se em nossos atos de cada dia, a terra será plenamente libertada do mal

V) O expositor espírita deve:
- evitar emitir opiniões pessoais contraditórias, sem sustentação doutrinária;
- sempre lembrar-se que a Doutrina tem sua base filosófica e religiosa codificada nos livros de Allan Kardec, os quais - os livros - devem servir como sustentação maior nas suas palestras;
- preocupar-se menos com a letra dos conceitos evangélicos e mais com os conceitos evangélicos da letra.

VI) O expositor espírita deve ter a certeza de que, no momento de sua fala, a ajuda espiritual não lhe faltará e sim, estará intensamente presente e atuante, se fizer a sua parte:
- desenvolvendo sua expressividade e técnicas retóricas;
- estudando e preparando previamente o tema;
- compreendendo a importância do momento, dedicando-se mentalmente à vibrações de amor, paz, humildade e caridade.

VII) Mesmo em conversas pessoais e informais, o expositor espírita deve auto-educar-se, pois, como disse André Luiz: "No estado atual da educação humana, é muito difícil alimentar, por mais de cinco minutos, conversação digna e cristalina, numa assembléia superior a três criaturas encarnadas".

VIII) O expositor espírita deve, quando for ditar normas de conduta, incluir-se como pessoa também necessitada, isto é:
em vez de dizer: "Vocês precisam preocupar-se com a evolução moral",
dizer: "Nós precisamos preocuparmo-nos com nossa evolução moral".

IX) O expositor espírita deve:
- ser um homem do seu tempo;
- falar com constância, em suas palestras, de Deus, de Jesus e da Doutrina;
- viver intensamente o sublime momento da palestra, agradecendo ao Mestre e aos mentores espirituais pela felicidade de ser humilde instrumento das palavras de Deus.

X) O expositor espírita deve ser simples e humilde, pois, como disse Padre Vieira: "Nada há tão grande como a humildade". E, com humildade e simplicidade, deve sentir-se motivado para proferir contínuas palestras, tendo a certeza da ajuda do Mestre e a convicção de que a rosa perfuma primeiro o vaso que a transporta.


Abração a todos.


Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
www.redevisao.net
www.alamar.biz
www.redelivros.net
orkut “alamarregis”

Federação Espírita de São Paulo

Há muito tempo eu não ia à Federação Espírita do Estado de São Paulo. Durante muito tempo, desde 1992, todas as vezes que viajava à capital paulista, quando não morava no Estado, o meu principal ponto de visita era a Federação, onde batia longos papos com meus amigos Altamirando Carneiro e João Gianini Pascale, ambos jornalistas que cuidavam do “Jornal Espírita” e do “Semeador”, publicados por aquela conhecida casa espírita.
Tive um momento histórico naquela casa, quando o seu então presidente, Teodoro Lausi Sacco, (já desencarnado) me chamou à sua sala e revelou-me algo extremamente sério e muito desagradável que houve na história do movimento espírita, que levou o Chico Xavier a um dos maiores momentos de tristeza da sua vida, o que é uma das razões pelas quais tenho escrito tanto acerca do referido movimento, apelando sempre por coerência, bom senso e por Espiritismo vivenciado em todo ele e não apenas teorizado.
A última vez que voltei àquela casa, há mais ou menos uns 3 anos, tomei um susto pelo ambiente que ali encontrei. Coisas extremamente desagradáveis aconteceram, que não vale nem a pena registrar, e optei para não voltar mais ali. O ambiente estava pesadíssimo.
Só pra vocês terem uma idéia, naquele momento existiam homens armados de revólveres na entrada da casa. É preciso dizer mais alguma coisa?
Bom, deixemos isto pra lá.
Semana passada recebi um carinhoso e-mail do meu querido amigo Divaldo, convidando-me para ir lá assistir ao filme documentário que o Oceano havia feito sobre ele. O Di sabe o quanto eu fico feliz quando surge uma notícia de que alguém faz filme, televisão ou divulgação de alto nível acerca do Espiritismo. Eu não poderia deixar de ir.
Ao entrar no prédio, tomei um agradável susto: Estava tudo diferente.
A Federação está uma beleza, iluminada, bom gosto, no nível que o Espiritismo merece.
Já que eu gosto de abrir a boca, sem papas na língua, quero contar a vocês como a coisa era antes.
Gente, eu não conseguia entender como a maior casa espírita do mundo, que é a FEESP, com um movimento mensal de mais de 300 mil pessoas, possuidora de mais de 15 mil alunos em seus cursos, no centro de São Paulo, a maior cidade do país, no Estado mais rico do Brasil e com uma receita enorme era um ambiente de tão mau gosto, horrível, escura, sem graça, com cara de cemitério mal cuidado.
Não estou exagerando não, era assim mesmo. A livraria era aquela coisa horrorosa, com aquelas estantes de ferro... (sabe aquelas estantes de ferro bem vagabundas, das mais baratas que existem? Era nelas que os livros eram expostos), pouca luz, lâmpadas fracas (talvez para economizar energia, porque a casa espírita deve sempre ser “pobre”).
Na portaria ninguém nunca sabia informar onde ficava nada. Não sei que diabo faziam ali.
Nos velhos elevadores, mantinham um senhor de idade, como ascensorista, extremamente mal educado e grosso para com as pessoas que lhe pediam alguma informação e dissessem que não ouviram direito. Além do mais... (vou explicar em nível elevado)... ele tinha uma característica que parece que tomava uns três comprimidos de Luftal, todos os dias antes de sair de casa, engolidos com um copo de uma água retirada de uma bacia onde alguém deve ter dado banho em algum gambá. Não sei se era sempre assim, mas em diversos momentos que tomei o seu elevador estas características foram notadas.
Não existia um teto decente, era aquela coisa feia, com tubos aparentes, tudo em nome da “humildade” que muitos espíritas adoram ostentar.
Hoje está tudo mudado, a entrada tem um lindo teto de gesso, luminárias, elevadores novos e modernos, granito e até um grande televisor de LCD... Juro que eu me senti bem e muito feliz no local.
Fui abraçar o meu amigo Divaldo, perguntar pela velharada amiga da Bahia e pelo feijão gostoso da Mansão do Caminho, quando comentei pra ele sobre a minha alegria pelo ambiente bonito. Ele, concordando com o bom gosto do ambiente, chamou a Presidente da casa, Sílvia, e apresentou-me: “Esta é a responsável por tudo isto, com sua equipe”.
Ao entrar no grande auditório Bezerra de Menezes, onde eu já fiz palestras algumas vezes, não vi mais aquelas cadeiras horríveis que existiam antes, vi cadeiras confortáveis, ambiente acarpetado, cores harmoniosas, som de alta qualidade, bonita cortina no palco, enfim, era só alegria. As senhores paulistanas com laquê nos cabelos, pó Cashmere Bouquet na cara... (Pare com isto, Alamar, as miuéres de hoje não usam mais isto). Dava gosto, o ambiente.
Recebi aquele carinhoso abraço do Carlos Ernesto, responsável pela programação das palestras dali, que me convidou logo para voltar a falar na casa, o que aceitei imediatamente e até disse que, num ambiente daquele, a gente fala com mais inspiração. Vamos marcar e comunicarei aos amigos de São Paulo.
Bom. Em síntese, quero parabenizar a Sílvia e toda a sua equipe pelo bom gosto.
Por que eu quero dar ênfase a esse aspecto?
Porque o Espiritismo vem sendo mal tratado, há muito tempo, pelos espíritas, em nome dessa equivocada “humildade” que andam querendo mostrar em nosso movimento, que na verdade não tem nada a ver com a autêntica Humildade. Só me lembro da coisa horrorosa que foi o evento dos 150 anos de “O Livro dos Espíritos” que fizeram, também em São Paulo, para mais de 15 mil pessoas, no ano passado, um tremendo festival de mau gosto.
Esse negócio de querer se mostrar pobre (de fachada) para os outros, fazendo os jornais espíritas sempre com o papel mais vagabundo que existe, os centros espíritas sempre equipados com aquelas cadeiras brancas de plástico que custam 8 reais cada uma, a iluminação deficiente pra não gastar muita energia porque a casa é pobre, as paredes pintadas com a tinta mais barata porque a casa é pobre e os banheiros com o papel higiênico mais barato... não representam humildade coisa nenhuma, representa é mau gosto, indiferença para com a doutrina, bobagem e outorga de atestado de besta para os outros.
É preciso que o movimento espírita se desperte para uma nova consciência, sem abrir mão do bom senso. Não podemos esquecer que somos participantes de uma doutrina que nos convida à racionalidade.
Eu já havia ficado feliz em outubro do ano passado, quando fui à João Pessoa, como um dos expositores do Congresso da ABRADE, e vi o bom gosto do auditório da Federação Espírita da Paraíba, também com boas cadeiras, ambiente refrigerado com um eficiente sistema de ar condicionado, som de primeira e tudo de bom gosto. Dei um forte abraço no velho Zé Raimundo, seu presidente, porque ele renovou mesmo o conceito ali.
Pois é. Por que todo o movimento espírita não trata o Espiritismo com bom gosto? Será que já não está na hora dos espíritas deixarem de ser miseráveis em relação ao Espiritismo? Êita povinho miserável é o Espírita, exatamente o segmento de maior poder aquisitivo entre todos os segmentos filosófico/religiosos do Brasil. Se você quiser comprovar isto, que eu já comprovei algumas vezes, experimente observar os estacionamentos da Igreja Universal do Reino do Edir Macedo, por exemplo, e os estacionamentos próximos aos centros espíritas, quando ocorrem eventos, e compare o nível dos carros dos fiéis de cada segmento.
Depois alguns vêm dizer que o Alamar gosta de criar caso, que cita algumas coisas que não deveriam ser citadas e haja máscaras, haja teatralização com todo elenco fingindo que é Francisco de Assis.
Temos que dizer, sim, vamos acordar, gente!!!!
Parabéns, FEESP, parabéns a todos os espíritas de bom gosto porque O ESPIRITISMO MERECE.

Abração a todos.

Alamar Régis Carvalho

ENTRE DUAS SEMANAS

Quando o irmão Rogério, um dos mentores espirituais do grupo, concluia as instruções da noite, pela médium Dona Jovina, João Anselmo, corretor de imóveis e um dos freqüentadores da casa, apelou para ele, solicitando:

- Querido benfeitor, os planos de caridade que alimento, desde muito, exigem recursos, a fim de se expressarem!... Compreendo e compreendo muito bem que os princípios espíritas não me autorizam a rogar-vos apoio na solução de problemas financeiros, entretanto... Como desejaria receber o amparo da Vida Maior! Tantos doentes abandonados, tantos meninos desprotegidos!... Dinheiro, meu amigo!... Dinheiro é o material de que necessito para a formação de um lar em que me seja possível começar a tarefa socorrista a que me proponho... Obtendo possibilidades justas, guardo a certeza de que conseguirei ajudar a muitos. Imaginemos que a vossa bondade me situe nos braços algumas facilidades, das quais posso partir no rumo de aquisições maiores... Alguma cooperação inesperada, algum negócio feliz!... Então, estaríamos em condições de principiar... Oh! meu amigo! A beneficência!... Haverá no mundo algo de mais sublime? Entretanto, para auxiliar e m favor de alguém, carecemos de auxílio... E, em tudo isso, dinheiro é o problema! Em nome do Senhor, peço-vos!... Amparai-me!... Tenho necessidade de socorro amoedado para servir!...

O Espírito amigo, na organização mediúnica, alongou-se no silêncio com que registrava a petição, e anotou, em seguida:

- Entendo, meu caro... Sua rogativa é muito simpática. Temos porém, agora, o nosso horário precisamente encerrado e, em razão disso, tornaremos ao assunto, na próxima reunião. Creia que Deus tem sempre o melhor para nos dar.

Anselmo revestiu-se de ansiosa expectativa e passou a esperar.

Decorridos dois dias, encaminhava-se de um sítio para outro, nos arredores da cidade que lhe serve de residência, quando assinalou, quase rente a ele, forte remoinho de vento. Estacou, por instantes, procurando evitar a nuvem de pó, e, tão logo cessou o brando tumulto na natureza, viu que, aos seus pés pousara uma cédula de dez cruzeiros novos.

O ar em movimento lhe trouxera a doação imprevista.

Recolheu o dinheiro, alegremente, e prosseguiu na marcha.

Não contara, ainda, duzentos passos, quando se abeirou dele triste mulher em farrapos, a rogar-lhe em desconsolo:

- Meu senhor, ajudai-me, por amor de Deus!...

- Que deseja a senhora de mim? – trovejou a voz do agente comercial.

- Caridade para meu filho necessitado de alimento e remédio... Preciso pagar à farmácia o débito de dois cruzeiros a fim de poder continuar recebendo novos medicamentos... Socorrei-me, Senhor!...

- Que pensa a senhora que sou? Algum banco ambulante? Não roubei, nem ganhei na loteria...

- Piedade, senhor!...

E porque a desditosa criatura se pusesse de joelhos, o corretor gritou, áspero:

- Saia da minha frente! Sou um homem ocupado, tenho mais o que fazer! Se quiser dinheiro, que vá trabalhar!...

Reergueu-se a pedinte, retrocedendo humilhada, enquanto o mal-humorado viajor continuava a caminho.

Transcorrida uma semana, eis Anselmo, de novo, na reunião, perante Irmão Rogério que distribuia os benefícios da evangelização.

Pedia dinheiro, aguardava dinheiro...

Rogério lhe ouviu a longa súplica, fixando o belo sorriso na expressão fisionômica, e rematou:

- Anselmo, meu filho, estamos observando a força de suas promessas e decisões. Sem dúvida que o dinheiro é necessário para a execução de determinadas obras de beneficência na Terra, mas se você não tem ainda a precisa coragem para se desfazer de dois cruzeiros, em favor de pobre mãe, depois de haver recebido dez cruzeiros, que lhe colocamos aos pés, através do vento, de que modo conseguirá você auxiliar os outros, se o Mundo Espiritual lhe confiar agora a fortuna de alguns milhões?





Livro Relatos da Vida - Psicografia Francisco C. Xavier - Espírito Irmão X

DIRETRIZES INDIVIDUAIS NOS GRUPOS

Se você foi chamado a cooperar num grupo de atividade cristã, agradeça as oportunidades de servir e esqueça seus direitos imaginários para que a luz do dever resplandeça em seu caminho.

Pagar mensalidade do estilo e colaborar com dinheiro não é difícil; dê o concurso direto de suas forças na obra a realizar.

Guarde para seus companheiros a gentileza de que se sente credor diante deles; a cordialidade é alicerce da paz.

Antes de exigir novas manifestações dos amigos espirituais, não deixe de manifestar, por sua vez, através de atos, palavras e pensamentos, os sublimes valores que já recebeu; se o intercâmbio com o plano invisível é agradável, o trabalho da experiência humana é iminentemente importante.

Aplique os ensinamentos evangélicos no serviço diário a que consagra o coração; se você não está interessado em espiritualizar-se, é inútil que as entidades superiores se sacrifiquem por sua causa.

Não use a crítica, nem a reprovação, faça o bem que estiver ao seu alcance, porque o problema não é o de repetir – “se fosse comigo faria assim” – mas de imprimirmos nossas obrigações pessoais à frente do Cristo.

Não perca tempo reclamando contra a ingratidão, procurando o espinho ou medindo as pedras da estrada; lembre-se de que o seu grupo é também uma orquestra convocada a executar o serviço de Jesus para a Harmonia Divina da vida e, se você não usar o instrumento que lhe compete com a eficiência devida, a música viverá sempre desafinada.





pelo Espírito André Luiz - Do livro Cartas do coração. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

MISERICÓRDIA

Não aguardes a queda espetacular do próximo, nos despenhadeiros do crime ou do sofrimento, para exercer o dom da misericórdia que o Senhor cultivou em nossa fé.
Mais vale o amparo previdente na preservação do equilíbrio, que o remédio de efeito problemático no reajuste.
-o-
Não desperdices teus minutos, na expectação inoperante, exclamando à frente dos problemas difíceis:
— Amanhã farei alguma coisa.
— Depois, tentarei realizar.
— Um dia chegará...
— Quando a oportunidade surgir...
Ataca, hoje mesmo, o serviço da fraternidade, para que a compaixão não seja em teu espírito um ornamento inútil.
-o-
Sê misericordioso para com os que te cercam.
-o-
Inicia a obra da benemerência, em tua própria casa, distribuindo algumas palavras de incentivo com quem te comunga o cálice de luta.
Ajuda aos mentores de teu caminho com algum sorriso de compreensão, restaura a coragem na alma da esposa, restabelece o bom ânimo do companheiro, auxilia os irmãos, usando a chave milagrosa do carinho, e não te esqueças do apoio que os corações juvenis reclamam de tua boa vontade e de tua experiência que o Cristo enriqueceu.
Há mil meios de praticar a misericórdia a cada dia.
-o-
Não olvides o silêncio para a calúnia, a bondade para com todos, a gentileza incessante, a frase amiga que reconforta, a roupa que se fez inútil para o corpo, suscetível de ser aproveitada pelo irmão mais necessitado, o pão dividido, a prece em comum, a conversação edificante, o gesto espontâneo de solidariedade...
Ninguém é tão pobre que não possa dar alguma coisa aos semelhantes, e aquele que se compadece e ajuda cede ao próximo algo de si mesmo.
-o-
Não te detenhas, portanto.
Não admitas que a incerteza ou o temor de imobilizem o passo.
Vale-te das horas e auxilia sempre, sem ostentação de virtude, sem reclamação, sem alarde, e a vida entesourará as tuas migalhas de amor, delas formando a tua riqueza imperecível na bem-aventurança espiritual.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Instrumentos do Tempo)

HONRARÁS A LIBERDADE

Honrarás a liberdade, não para voltar às brumas do passado em cujos desvarios já nos submergimos muitas vezes, e que te impeliram a tomar novo corpo no plano físico, mas, freqüentemente para resgatar as conseqüências infelizes dos atos impensados.
*
Estimarás a liberdade para cultivar a consciência tranqüila pelo exato desempenho dos compromissos que esposaste.
*
Muitos companheiros da Humanidade se farão ouvir, diante de ti, alinhando teorias brilhantes em se referindo a independência e progresso, quase sempre para justificar o desgovernado predomínio do instinto sobre a razão, como se progresso e independência constituíssem retorno ao primitivismo e à animalidade.
Ouvirás a todos eles com tolerância e bondade, observando, porém, as ciladas que se lhes ocultam sob o luxo verbalístico, à maneira de armadilhas recobertas de flores, e seguirás adiante de coração atento à execução dos encargos que a vida te reservou.
Sabes que a inteligência, quando se propõe desregrar-se no esquecimento dos princípios que lhe ditam comportamento digno, inventa facilmente vocábulos cintilantes, de modo a disfarçar a própria deserção.
*
Aceitarás o trabalho no grupo doméstico ou na equipe de ação edificante aos quais te vinculas, na produção do bem geral, doando o melhor de ti mesmo em abnegação aos companheiros que te compartilham a experiência, na certeza de que unicamente nas lutas e sacrifícios em que somos obrigados a viver e a conviver, uns à frente dos outros, é que conseguiremos a carta de alforria no cativeiro que nos aprisiona aos resultados menos felizes das existências passadas.
*
Orarás e vigiarás, segundo os ensinamento de Jesus, e honrarás a liberdade qual ele mesmo a dignificou, amando aos semelhantes sem exigir o amor alheio e prestando auxílio sem pensar em recebê-lo.
*
Serás, enfim, livre para obedecer às Leis Divinas e sempre mais livre para ser cada vez mais útil e servir cada vez mais.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Na era do Espírito)

A Mais Bela Flor

O bosque estava quase deserto quando o homem sentou-se para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho.

Estava desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando afundá-lo.

E como se já não tivesse razões suficientes para arruinar o seu dia, um garoto chegou, ofegante, cansado de brincar.

Parou na sua frente, de cabeça baixa e disse, cheio de alegria:

- Veja o que encontrei!

O homem olhou desanimado e percebeu que na sua mão havia uma flor.

Que visão lamentável! Pensou consigo mesmo. A flor tinha as pétalas caídas, folhas murchas, e certamente nenhum perfume.

Querendo ver-se livre do garoto e de sua flor, o homem desiludido fingiu pálido sorriso e se virou para o outro lado.

Mas ao invés de recuar, o garoto sentou-se ao seu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:

- O cheiro é ótimo, e é bonita também...

- Por isso a peguei. Tome! É sua.

A flor estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas ele sabia que tinha que pegá-la, ou o menino jamais sairia dali.

Então estendeu a mão para pegá-la e disse, um tanto contrafeito:

- Era o que eu precisava.

Mas, ao invés de colocá-la na mão do homem, ele a segurou no ar, sem qualquer razão.

E naquela hora o homem notou, pela primeira vez, que o garoto era cego e que não podia ver o que tinha nas mãos.

A voz lhe sumiu na garganta por alguns instantes...

Lágrimas quentes rolaram do seu rosto enquanto ele agradecia, emocionado, por receber a melhor flor daquele jardim.

O garoto saiu saltitando, feliz, cheirando outra flor que tinha na mão, e sumiu no amplo jardim, em meio ao arvoredo.

Certamente iria consolar outros corações, que embora tenham a visão física, estão cegos para os verdadeiros valores da vida.

Agora o homem já não se sentia mais desanimado e os pensamentos lhe passavam na mente com serenidade. Perguntava-se a si mesmo como é que aquele garoto cego poderia ter percebido sua tristeza a ponto de aproximar-se com uma flor para lhe oferecer.

Concluiu que talvez a sua auto-piedade o tivesse impedido de ver a natureza que cantava ao seu redor, dando notícias de esperança e paz, alegria e perfume...

E como as Leis da Vida são misericordiosas, permitiram que um garoto privado da visão física o despertasse daquele estado depressivo.

E o homem, finalmente, conseguira ver, através dos olhos de uma criança cega, que o problema não era o mundo, mas ele mesmo.

E ainda mergulhado em profundas reflexões, levou aquela feia flor ao nariz e sentiu a fragrância de uma rosa...

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Verdadeiramente cego é todo aquele que não quer ver a realidade que o cerca.

Tantas vezes, pessoas que não percebem o mundo com os olhos físicos, penetram as maravilhas que os rodeiam e se extasiam com tanta beleza.

Talvez tenha sido por essa razão que um pensador afirmou que "o essencial é invisível aos olhos."



Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem volante, sem menção ao autor

ESTE DIA

Este dia é o seu melhor tempo, o instante de agora.

Se você guarda inclinação para a tristeza, este é o ensejo de meditar na alegria da vida e de aceitar-lhe a mensagem de renovação permanente.

Se a doença permanece em sua companhia, surgiu a ocasião de tratar-se com segurança.

Se você errou, está no passo de acesso ao reajuste.

Se esse ou aquele plano de trabalho está incubado em seu pensamento, agora é o momento de começar a realizá-lo.

Se deseja fazer alguma boa ação, apareceu o instante de promovê-la.

Se alguém aguarda as suas desculpas por faltas cometidas, terá soado a hora em que você pode esquecer qualquer ocorrência infeliz e sorrir novamente.

Se alguma visita ou manifestação afetiva esperam por você chegou o tempo de atendê-las.

Se precisa estudar determinada lição, encontrou você a oportunidade de fazer isso.

Este dia é um presente de Deus, em nosso auxílio; de nós depende aquilo que venhamos a fazer com ele.






pelo Espírito André Luiz - Livro Respostas da Vida. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

A Natureza é assim... Deus nos ensina se soubermos estar atentos...

A Natureza é assim... Deus nos ensina se soubermos estar atentos...
"Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro mandamento; Instruí-vos, eis o segundo."

Vale a pena

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Se o amor se vai

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