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sábado, 29 de novembro de 2008

AMIGOS DE INFÂNCIA


AMIGOS DE INFÂNCIA - Parte IX


O rio de águas avermelhadas reluzia como um ratilho de fogo no poente, dando lugar ao magnifico reflexo lunar espelhando as noites no horizonte.

Lua cheia, pesca em fartura, tempo de boa ventura .

Pescadores subiam nas barcas entusiasmados, sonhando com redes pesadas e porões lotados.

Famíliares os aguardam a beira com os corações ansiosos e apertados, e assim que o sol rompia a madrugada, as barcas vinham despontando, cheios de peixes de tamanhos e qualidades diferenciadas.

A multidão ficava em festa, tanta era a alegria quando os cestos eram retirados, motivo de orgulho e satisfação daqueles que tinham enfrentado os perigos da noite e das águas com coragem e ousadia.

Para as crianças, um espetáculo da natureza, um cenário surreal, os peixes pulavam provocando-lhes risos e sustos sem igual .

Todos desembarcados , começavam a separação, grandes , pequenos, por espécie ou pela sua valorização.

Jesus assistia toda a movimentação, a espera de poder prestar algum serviço em voluntária cooperação.

Ajuda sempre bem vinda, e sempre que chamado, auxiliava satisfeito, tirando os cestos dos barcos ou puxando o arrastão.

Pescadores gratos, presenteavam o menino com peixes, para que sua mãe lhe preparasse uma saborosa refeição.

Alguns peixinhos resistiam bravamente, vivos, sendo alguns pequeninos, Jesus tinha-lhes tanta piedade, que era possível reconhecer nos seus doces olhinhos, um ar suplicativo.

Os amigos pescadores , que já conheciam aquele senso de justiça especial, colocavam os pequenos peixinhos nas águas para que seguissem com toda liberdade o seu curso natural .

O menino extasiado, gritava as margens, feliz !

- Vão e cresçam meus amiguinhos !

Os peixinhos resfolegavam e saiam na faceirice peixeira que a oportunidade condiz.

Voltavam ao leito das águas, como que para uma nova oportunidade renascidos, onde cresceriam, aprenderiam a se defenderem de alguns perigos, talvez até voltassem a cair nas redes prematuramente, mas mesmo assim cada qual cumpriria o destino merecido.

O sol ia alto, anunciando o meio-dia.

Hora de retomar o rumo, levava boa guarnição, colaborando para que a família tivesse uma variada e nutritiva alimentação.

No caminho encontrou Simão Pedro e seu irmão, estranhou que os dois meninos voltavam sem nenhum peixe nas mãos .

Ora , os dois ,entretidos com outras brincadeiras, não haviam sequer conseguido os restos da catação, e agora voltavam desemxabidos, com medo do castigo e da repreensão. Embora cheios de preocupação, tentavam justificar o erro, culpando de gula e ganância o restante da população.

Imaginando que a mãe dos meninos os esperava com as panelas vazias , pois Jesus lhes conhecia a miserável condição em que viviam, nãos se interpôs diante de tanta aflição e fez dos seus próprios peixes uma justa divisão.

Enquanto os meninos olhavam com olhos de satisfação ,o menino exclamou então :

- Enquanto se preocupavam com prazeres e diversão, sequer lembraram-se de que tinham uma responsável missão, quando deram pelo tempo quase vencido , acreditaram que poderiam obter o mesmo mérito das boas recompensações como aqueles que as haviam justamente cumprido. Isso não acontecendo sentiram-se injustiçados sem nem por um momento arrependerem-se ou reconhecerem em sí as desastrosas razões .
Mas Deus, como os pescadores, também tem muito bem aferida a sua balança, onde pesa em igualdade , efeitos idênticos ao peso de nossas ações.

Um dos meninos, cabisbaixo, concordou envergonhado :

- Tens razão, então porque dividiu com este pecador o seu próprio galardão ? Afasta-se , pois assim não te confundirão ...

Jesus os abraçou sorrindo .

- Se divido é porque sei que já receberam a merecida lição, sinto que arrependeram-se a tempo de consertarem as redes dos próprios corações, não as lançarão mais nos mares das ilusões. Quando fomos criados pelo Pai , é como se lançasse as águas várias embarcações, cujos mistérios escondem, sem saberem quando o porto seguro atingirão.
Se enfrentarão tempestades, ondas calmas ou estuantes, das próprias rotas porém os únicos governantes. Se não souberem reconhecer as intempéries do tempo ou das águas da vida os segredos , cedo ou tarde sucumbiremos a violência das tormentas e os destruidores rochedos.
Devemos sempre tentar melhores condições, pescadores de amor é o que devemos ser para que nossas redes jamais subam vazias ou que nos causem decepções .

Os meninos escutavam admirados e atentos , contentes como aqueles peixinhos devolvidos, sabiam agora que era preciso crescer em conceitos e conhecimentos, aprenderem com as escolhas, vencerem os desafios, progredir sempre, tal é a lei, nem que para isso fosse preciso serem reconduzidos ao rio .

Agradeceram a bondade do amigo, voltaram para casa sentindo-se mais leves e reconhecendo os próprios erros e a necessidade da transformação moral sem culpas. E com aqueles belos peixes na fieira , imaginavam que a mãe já estaria preparando a frigideira ...
(Texto e Desenho - Paty Bolonha - 2008 )

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A Natureza é assim... Deus nos ensina se soubermos estar atentos...

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"Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro mandamento; Instruí-vos, eis o segundo."

Vale a pena

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