Silvério Conde voltara de longa viagem à Europa e aos Estados Unidos e, presente à sessão, no modesto grupo de cultivadores da seara espírita, que frequentava de tempos a tempos, declarou que apresentaria importante relato, mas somente quando João da Mata, um dos colaboradores desencarnados da instituição, estivesse a postos. Razões de reconhecimento e simpatia pessoal. A noite era de socorro aos obsediados e, à face disso, larga fila de doentes se esparramava nos bancos próximos; entretanto, era a única, naquela semana, em que lhe seria possível falar, de modo direto, com o amigo espiritual que viria, caridoso, ao encontro dos enfermos, necessitados de paz e consolação.
Após receber-lhes as saudações fraternas, nos votos de boas vindas, através do médium Celino que lhes emprestava as faculdades, principiou Silvério, entre solene e discreto:
- Irmão João, é justo me entusiasme ao dizer-lhe, tanto quanto aos nossos companheiros, que voltei armado de novos recursos, em matéria de fé. As experiências, que eu tive ocasião de acompanhar em Londres, foram deveras convincentes. Comecei assistindo a preciosas demonstrações de clarividência, em duas das grandes sessões do congresso Espírita Internacional. Médiuns que nada conheciam da Itália identificaram diversos familiares de amigos meus, domiciliados em Roma, desde o berço. Um moço da Dinamarca desatou em lágrimas ao reconhecer-se na presença da própria genitora desencarnada, segundo apontamentos indiscutíveis, fornecidos por uma senhora vidente, junto de todos. Fui apresentado ao Sr. Stuart, honrado presidente da antiga Associação Espiritualista da Grã-Bretanha, que me pôs em contacto com vários círculos de fenômenos puros. Presenciei manifestações de voz direta que me deixaram absolutamente convicto, quanto à sobrevivência. Num grupo particular de Marylebone, onde fui por gentileza de amigos, apertei comovidamente as mãos de um Espírito materializado, que me deu provas irrecusáveis da existência individual, para lá da morte. Desses novos companheiros de ideal dos quais me aproximei, um deles mostrou-me valiosa documentação sobre materializações de Jane Seymour, em antigo palácio inglês. Numerosas pessoas não espíritas dão conta dessas aparições. Perguntando, de minha parte, por que motivo essa entidade voltava com tanta frequência ao ambiente de Hampton Court, contaram-me que a rainha, há tantos anos desencarnada, numa sessão mediúnica realizada em Hampshire alegara pessoalmente que assim procedia por motivos de amor, ao que irmãos outros, já familiarizados com os princípios da reencarnação, acrescentaram que a esposa de Henrique VIII se fizera guardiã espiritual de muitos dos seus velhos afeiçoados, agora renascidos na Inglaterra. As anotações que pude c ompulsar representam explícito relatório da imortalidade.
Silvério Conde fez uma pausa e indagou do benfeitor:
- Que me diz dessas experiências, irmão João?
- Meu filho – informou o amigo, com a simplicidade que lhe é característica -, rendamos graças a Deus. Você, Silvério, adquiriu alicerces para a fé renovada...
- Isso mesmo, irmão João – tornou Conde -, isso mesmo. Fé renovada é o tesouro de que hoje disponho.
E, notando que o amigo, incorporado ao médium, ia sair da mesa orientadora, para atender aos doentes no fundo da sala, deu-se pressa em acentuar:
- Peço, ainda, permissão para comunicar à nossa casa, em palavras breves, que estive igualmente nos Estados Unidos, onde observei, por felicidade minha, admiráveis fenômenos de efeitos físicos. Materializações, transportes, levitações, desenhos em condições supranormais. Na Carolina do Norte, demorei-me vários dias, alinhando anotações que reputo de incalculável valor. E sabendo que professores da atualidade se dedicam ao reexame de todas as conclusões dos pesquisadores do passado, através da parapsicologia, não me contentei com as manifestações evidentes do Mundo Espiritual pela mediunidade, mas procurei também ouvir, em Nova Iorque, muitos companheiros que se acham ligados ao conjunto de estudiosos da Universidade de Duke, e compreendi que muitos deles já aceitam de modo pleno a interpretação espírita, tendo abandonado para trás os pontos de vista da chamada “percepção extra sensorial”. Em muitos entendimentos, percebi que vários parapsicologistas e metapsiquiatras estão hoje perfeitamente convencidos, com respeito à continuação da vida, além-túmulo, e afirmam, desassombrados, que, no Universo, tão maravilhosamente ordenado, é impossível que as faculdades superiores do homem sejam perdidas a esmo, simplesmente porque o corpo perecível se desfaça no sepulcro, a modo de roupa velha.
Silvério relanceou os olhos pela assembléia interessada e, reparando que o tempo avançava, disse para o benfeitor desencarnado que o ouvia polidamente:
- Em suma, Irmão João, venho transformado. Adquiri a convicção integral que me faltava...
- Sim, meu filho – anuiu o interlocutor com ardente sinceridade a transparecer-lhe da voz -, é preciso aprender, analisar, verificar, anotar... Sem o estudo, a Terra seria uma floresta, e nós, dentro dela, estaríamos na posição de animais em lamentável selvageria. Estudemos sim, estudemos sempre...
Conde fixou belo sorriso e sublinhou, encantado:
- Oh! irmão João, que alegria! As suas palavras exprimem amorosa compreensão... Sim, sim! Adquiri realmente a fé!... Tenho agora fé viva...
Nesse ponto da entrevista, o comunicante levantou-se, abraçou Silvério e, tomando a direção dos enfermos, disse-lhe, cortês:
- Então, meu filho, vamos agora ao trabalho!
Conde, algo constrangido, quis lançar delicada escusa, mas, enlaçado por aquelas mãos que se habituara a querer, aquiesceu, sem qualquer reação.
E ali, diante de quarenta e sete irmãos infelizes, alguns extremamente perturbados, ao lado de outros, chagados e tristes, convidou João, sensibilizado:
- Silvério, meu filho, faça uma prece, em favor dos doentes.
O interpelado diligenciou recuar, porquanto, a seu ver, não contava com facilidades quaisquer para a oração em voz alta, mas tomou a palavra, agora titubeante, e exorou a Bênção Divina para os enfermos que o fitavam, esperançosos.
Quando terminou, desajeitado, o amigo espiritual tornou a convocá-lo:
- Agora, meu filho, ajude-me, por obséquio, no serviço de passes. Diversos instrutores da Esfera Superior estão presentes, amparando-nos as tarefas. Aliviemos os nossos irmãos que sofrem...
- Mas, irmão João – ajuntou Silvério, surpreendido -, eu não sei dar passes, nunca dei passes.
- Meu filho – aduziu o benfeitor -, você atualmente é um homem de fé baseada no raciocínio, que é a luz do grande conhecimento. Seu espírito, presentemente, deve ser considerado qual estudante diplomado numa escola superior e o êxito em qualquer atividade nobre, principalmente para quem sabe, depende do começar...
- Entretanto – explodiu Silvério num desabafo respeitoso -, dê-me licença, Irmão João, para perguntar-lhe... Como entende o conhecimento? Que é conhecimento, meu amigo?
O benfeitor espiritual pensou alguns instantes e respondeu, muito calmo:
- Eu acho, meu filho, que o conhecimento é obrigação...
E, depois de expressivo silêncio finalizou, humilde:
- Tem que render...
do Livro Relatos da Vida - Psicografia Francisco C. Xavier - pelo Espírito Irmão X
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sábado, 8 de novembro de 2008
QUEM SÃO NOSSOS PAIS
Quando abrimos os olhos, neste mundo, vimos debruçados sobre nosso berço, duas pessoas especiais: nosso pai e nossa mãe.
Nos primeiros anos nos sentimos dependentes deles. E, mesmo o simples fato de eles estarem a nos olhar, se constituía em segurança para nós.
Assim, aprendemos a andar, amparados pelos seus braços. Nossos machucados receberam curativos e beijos.
Aprendemos a andar de bicicleta, enfrentamos as ondas do mar, as águas da piscina.
Suas mãos nos conduziram à escola e quando fomos ali deixados pela primeira vez, pareceu que algo se quebrou dentro de nós.
Estaríamos sendo abandonados?
Contudo, ao final do dia, retornamos ao lar e aprendemos que a escola era somente um lugar para estar algumas horas.
Era um lugar para aprender, para fazer amizades, para crescer.
Mas sempre havia um lugar para voltar: nosso lar. O aconchego da família, a segurança paterna, o carinho materno.
À medida que os anos foram se somando, deixamos de ser dependentes. Andamos com nossos pés, agimos com nossa vontade, alçamos vôos mais altos, ou rasos.
E, alguns de nós, passamos a olhar os pais de forma diferente. Quem são eles para desejarem comandar a nossa vida?
Quem são eles para dizerem o que devemos ou não fazer?
Quem são?
Nossos pais são Espíritos que, quase sempre, guardam relações afetivas conosco de longa data. Amigos que aceitam nos receber como filhos, desejando encurtar distâncias entre nós e o progresso.
Espíritos que se dispõem a nos oferecer um corpo, a nos proteger, a nos amar.
Exceções existem, é verdade. Espíritos não tão amigos que se reencontram no cadinho doméstico para ajustes do pretérito um tanto nebuloso.
Mesmo assim, eles nos moldaram um corpo, permitindo-nos a reentrada no mundo carnal, e lhes devemos ser gratos.
Mas, se desejam saber aonde vamos, com quem vamos, nesses tempos de tanta violência, é porque conosco se preocupam.
Se nos estabelecem horários para o retorno ao lar, se nos procuram quando nos retardamos, é porque a nossa segurança os preocupa.
Se insistem conosco para que estudemos mais, nos esforcemos mais, é porque, mais experientes pela maturidade que ainda não temos, nos desejam ver galgar degraus de sucesso.
Se nos impõem disciplina, se nos exigem atitudes comedidas, é porque desejam colaborar com nosso progresso.
Para isso, Deus nos confiou à sua guarda.
E porque esse compromisso está registrado em sua memória espiritual, tanto quanto pelos laços de afeto que nos unem, eles se importam conosco.
Pensemos nisso e antes de reclamarmos tanto, olhemos nossos pais com gratidão.
Vivamos com eles o melhor possível. Afinal, não estarão sempre conosco.
É possível que logo mais eles se transfiram para a espiritualidade, cumprida sua missão.
Vivamos usufruindo o melhor da sua companhia, da sua sabedoria, dos seus afagos.
Amanhã, quando não estiverem mais conosco, teremos doces lembranças para alimentar a nossa saudade.
Redação do Momento Espírita.
Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2025&stat=0.
Nos primeiros anos nos sentimos dependentes deles. E, mesmo o simples fato de eles estarem a nos olhar, se constituía em segurança para nós.
Assim, aprendemos a andar, amparados pelos seus braços. Nossos machucados receberam curativos e beijos.
Aprendemos a andar de bicicleta, enfrentamos as ondas do mar, as águas da piscina.
Suas mãos nos conduziram à escola e quando fomos ali deixados pela primeira vez, pareceu que algo se quebrou dentro de nós.
Estaríamos sendo abandonados?
Contudo, ao final do dia, retornamos ao lar e aprendemos que a escola era somente um lugar para estar algumas horas.
Era um lugar para aprender, para fazer amizades, para crescer.
Mas sempre havia um lugar para voltar: nosso lar. O aconchego da família, a segurança paterna, o carinho materno.
À medida que os anos foram se somando, deixamos de ser dependentes. Andamos com nossos pés, agimos com nossa vontade, alçamos vôos mais altos, ou rasos.
E, alguns de nós, passamos a olhar os pais de forma diferente. Quem são eles para desejarem comandar a nossa vida?
Quem são eles para dizerem o que devemos ou não fazer?
Quem são?
Nossos pais são Espíritos que, quase sempre, guardam relações afetivas conosco de longa data. Amigos que aceitam nos receber como filhos, desejando encurtar distâncias entre nós e o progresso.
Espíritos que se dispõem a nos oferecer um corpo, a nos proteger, a nos amar.
Exceções existem, é verdade. Espíritos não tão amigos que se reencontram no cadinho doméstico para ajustes do pretérito um tanto nebuloso.
Mesmo assim, eles nos moldaram um corpo, permitindo-nos a reentrada no mundo carnal, e lhes devemos ser gratos.
Mas, se desejam saber aonde vamos, com quem vamos, nesses tempos de tanta violência, é porque conosco se preocupam.
Se nos estabelecem horários para o retorno ao lar, se nos procuram quando nos retardamos, é porque a nossa segurança os preocupa.
Se insistem conosco para que estudemos mais, nos esforcemos mais, é porque, mais experientes pela maturidade que ainda não temos, nos desejam ver galgar degraus de sucesso.
Se nos impõem disciplina, se nos exigem atitudes comedidas, é porque desejam colaborar com nosso progresso.
Para isso, Deus nos confiou à sua guarda.
E porque esse compromisso está registrado em sua memória espiritual, tanto quanto pelos laços de afeto que nos unem, eles se importam conosco.
Pensemos nisso e antes de reclamarmos tanto, olhemos nossos pais com gratidão.
Vivamos com eles o melhor possível. Afinal, não estarão sempre conosco.
É possível que logo mais eles se transfiram para a espiritualidade, cumprida sua missão.
Vivamos usufruindo o melhor da sua companhia, da sua sabedoria, dos seus afagos.
Amanhã, quando não estiverem mais conosco, teremos doces lembranças para alimentar a nossa saudade.
Redação do Momento Espírita.
Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2025&stat=0.
AMIGOS DE INFÂNCIA

AMIGOS DE INFÂNCIA - Parte VIII
O retorno ao lar era um momento que para a maioria representava oportunidade de recomeço, a caminhada da volta parecia muito mais longa, exigindo maior concentração , tempo certo para reflexionar sobre erros e acertos .
As comitivas se distanciavam mais pois não havia tempo certo para chegar , a maioria aproveitava para visitar parentes distantes e amigos de grande apreço. Outros apressavam-se com medo de bandidos e saqueadores que aproveitavam a fraqueza dos peregrinos para fazerem emboscadas constantes.
Entre um monte de pedras havia um homem caído, parecia desacordado e muito perto do abismo, não era possível sem que houvesse aproximação verificar se estava morto ou apenas ferido.
Jesus e sua família que vinham um pouco mais atrás ouviu quando o primeiro homem observou a cena e disse aos seus diletos.
- Cuidado não se aproximem, deve ser um vagabundo ou quem sabe ladrão ! Pois que mereça seu destino , deixem aí o cretino !
Outros que vinham um pouco mais atrás aguçavam a curiosidade, mas a insegurança e a covardia, fazia com que aumentassem dos passos a velocidade. Mães protegiam seus filhos daquela cena dantesca e terrível, preocupação materna ao que lhes parecia ameaçador e temível.
A medida que iam passando se distanciavam e nada faziam, e sem a mínima caridade de alguém o pobre corpo alí jazia.
Alguns arriscavam comentários sobre o ocorrido , mas a meras opiniões ou intenções sem ações tudo se resumia.
A medida que se aproximavam Jesus disparou a correr em direção ao homem desfalecido, contrariando até mesmo as ordens de uma aflita e preocupada mãe Maria.
Desceu pela pequena ribanceira, e ajoelhado aos seus pés verificou que ainda respirava, chamando o seu pai José, pediu que procurasse a ajuda de outros homens para juntos tentarem colocá-lo em pé.
Clamor em vão, negavam-se sem nenhuma pena ou comoção, julgavam e atribuam ao pobre coitado a alcunha de louco ou marginal, chegavam a desejar que seria melhor que morresse alí como um reles animal, pois assim não atrapalharia mais a jornada de quem era bom e normal.
- Pobres de espírito, não sabem o que fazem ! - exclamou Jesus baixinho, muito mais penalizado por eles do que pelo homem padecendo a beira do caminho.
José voltou sózinho e vendo o filho clamar a Deus pelos homens sem compaixão, não hesitou a perguntar :
- Porque sentes e pedes a Deus por estes homens sem coração ?
- Porque meu pai são eles que ainda não descobriram o que é AMAR, a única via que os fará chegar ao reino da salvação, pois para o reino de Deus , a caridade é uma porta estreita e de única mão. Peço a Deus por eles pois nunca ouví falar que precisam de médicos os sãos ...
Com muito esforço os dois ergueram o pobre homem ferido, limparam-lhe o sangue , refrescaram-no a sombra, molharam seus lábios, até que abriu os olhos e pode contar o que havia lhe acontecido.
Estava muito assustado mas percebeu que podia confiar nas pessoas que estavam ao seu lado.
Voltava antes para casa pois a esposa acabara de dar a luz a um menino, deixou-a por breve tempo apenas para ir ao templo agradecer a dádiva de um herdeiro varão que tanto esperava como um presente divino.
Acelerou a volta, dispersando-se do resto da caravana para que pudesse logo ter o filho amado pelos seus braços protegido.
Correu tanto que o cansaço tomou conta e deitando embaixo de uma árvore para descansar ao relento , foi vítima de um assaltante implacável e violento.
Que bateu-lhe e levou todas as suas provisões, e só não o matou porque o homem implorou a misericórdia de Deus para que o seu rebento não deixasse orfão.
Após ouvirem o seu comovido depoimento, trataram suas feridas e deram-lhe algum alimento, para que pudessem ajudar um pouco mais na sua recuperação, colocaram-no sobre o lombo do burro, para que pudesse se locomover melhor e chegasse ao lar, onde graças ao afeto familiar havia permanecido o seu coração.
Fizeram o restante da viagem em paz e clima de harmonia, e tão logo amanhecera o dia puderam avistar os casarios.
O homem que havia sido salvo não era rico, mas desfrutava uma vida farta e tranquila, e chegando ao seu destino em tão boa companhia , seguro e quase curado, achou por bem e dever que uma recompensa devia lhes oferecer. Pegou uma jóia da esposa que muito devia valer e ofereceu a Jesus que havia lhe feito as vezes de um anjo pequenino, como forma de gratidão.
O Menino agradeceu o gesto de bondade, mas negou aceitar aquela remuneração, abraçou seu novo amigo e fez observação;
- A um gesto de caridade incondicional a um irmão, a mais valiosa forma de gratificação , é poder ver o sorriso de Deus no olhar e nos lábios de quem recebeu a doação .
Sendo assim despediram-se em um abraço cheio de compromisso de perpetuarem uma amizade sincera , que em nada parecia ter começado em um momento de dor.
Para o lar agora seguiriam com sentimento de alegria e a alma repleta de amor. O silêncio lembrava uma singela prece que o momento delicioso propiciava, o menino elevava-se em bons pensamentos, apreciando a paisagem maravilhosa que a leve brisa embalava . E no final daquele dia sem maiores contratempos puderam repousar um descanso merecido, em limpo e confortável aposento.
Quando retornarmos ao lar verdadeiro, que é a pátria espiritual, teremos a certeza do dever cumprido, do aproveitamento do aprendizado moral ?
Será que estamos sabendo acolher um irmão "doente" ou simplesmente estamos reclamando que estão atrapalhando nossa viagem e passando indiferentes sem reconhecê-los como tal ?
(Texto e Desenho - Paty Bolonha - 2008 )
A QUEDA
Não esperavas, mas caíste.
Caíste e sofres, porquanto te supunhas inatingível...
Agradece, contudo, a queda que te faz abrir os olhos para a realidade da vida.
Não desperdices energias, lamentando...
Agora, vês tudo por um prisma diferente.
Reformulaste antigos conceitos.
Entesouraste a compreensão, principalmente no que se refere às fraquezas alheias.
Adquiriste uma parcela maior de humildade.
Estás mais sensível às necessidades do próximo.
Reconheces, afinal, o valor do perdão.
Permitir a tua queda, foi o recurso que a Divina Providência encontrou a fim de disciplinar-te o coração em prazo mais curto, para que não viesse a te suceder coisa pior.
Irmão José/ Francisco Cândido Xavier
Caíste e sofres, porquanto te supunhas inatingível...
Agradece, contudo, a queda que te faz abrir os olhos para a realidade da vida.
Não desperdices energias, lamentando...
Agora, vês tudo por um prisma diferente.
Reformulaste antigos conceitos.
Entesouraste a compreensão, principalmente no que se refere às fraquezas alheias.
Adquiriste uma parcela maior de humildade.
Estás mais sensível às necessidades do próximo.
Reconheces, afinal, o valor do perdão.
Permitir a tua queda, foi o recurso que a Divina Providência encontrou a fim de disciplinar-te o coração em prazo mais curto, para que não viesse a te suceder coisa pior.
Irmão José/ Francisco Cândido Xavier
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A HORA VAZIA

Quando as mãos repousam, a mente é defrontada pelo problema da hora vazia.
Se você procura a integração com o Divino Mestre, aprenda a utilizá-la.
Pense no irmão enfermo que reclama Socorro espiritual e auxilie-o com as suas vibrações de carinho, se as circunstâncias lhe não favorecem a visita pessoal.
Plante uma árvore benfeitora.
Busque a companhia do livro edificante e tente fixar-lhe as lições.
Tome um lápis e faça anotações que lhe sirvam à memória ou escreva alguma frase consoladora que possa contribuir na sementeira de reconforto e bom ânimo.
Aproveite o ensejo para uma palestra em que você coopere na ressurreição do companheiro que caiu em desalento.
Comente a grandeza do bem, evitando, no entanto, o diapasão do discurso solene, a fim de que você alcance a intimidade dos ouvintes e consiga renová-los.
Medite, à frente da Natureza que oferece espetáculos prodigiosos da Sabedoria Divina, desde a casa minúscula da formiga até o firmamento cravejado de estrelas, recolhendo no imo do ser a essência imperceptível da instrução celestial.
Fixe a atenção em tudo o que seja útil e nobre, bom e belo, e não se desvie, porque no repouso dos braços, quando chega o problema da hora vazia, os semeadores do mal encontram larga oportunidade ao plantio da discórdia e da incompreensão, junto do qual, você, imperceptivelmente, começará perdendo o tempo, complicando as próprias lutas e sombreando o caminho terrestre, para depois perder inutilmente a própria vida.
pelo Espírito André Luiz - do Livro “Irmãos Unidos” - Francisco Cândido Xavier/Autores Diversos
Velhas Recordações, Velhas Doenças

"Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-eis não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes..."
"... Escutai, pois, essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a vós mesmos; perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos, pródigos mesmo de vosso amor..." (Cap. X, item 14.)
Trazemos múltiplos clichês mentais arquivados no inconsciente profundo de nós mesmos, resultado de velhas recordações danosas herdadas das mais variadas épocas, seja na atualidade, seja em outras existências no passado distante.
Essas fontes emitem, através de mecanismos psíquicos, energias que não nos deixam sair com facilidade do fluxo desses eventos desagradáveis, registrados pelas retinas da alma, mantendo-nos retidos em antigas mágoas e feridas morais entre os fardos da culpa e da vergonha.
Por não recordarmos que o perdão a nós mesmos e aos outros é um poderoso instrumento de cura para todos os males, é que impedimos o passado de fluir, não dando ensejo à renovação, e sim a enfermidade e desalentos.
Tentamos viver alienados dos nossos ressentimentos e velhas amarguras, distraindo-nos com jogos e diversões, ou mesmo buscando alívio no trabalho ininterrupto, mas apenas estamos adiando a solução futura da dor, porque essas medidas são temporárias.
É mais fácil dizer que se tem uma úlcera gástrica do que admitir um descontentamento conjugal; é mais fácil também consentir-se portador de uma freqüente cólica intestinal do que aceitar-se como indivíduo colérico e inflexível.
Muitas moléstias antes consideradas como orgânicas estão sendo reconhecidas agora como "psicossomáticas", porque se encontram fatores psicológicos expressivos em sua origem.
As insanidades físicas são quase sempre traduzidas como somatizações das recordações doentias de ódio e vingança que, mantidas a longo prazo, resultam em doenças crônicas. Dessa forma, compreenderás que a gravidade e a duração dos teus sintomas de prostração e abatimento orgânico são diretamente proporcionais à persistência em manteres abertas tuas velhas chagas do passado.
As predisposições físicas das pessoas às enfermidades nada mais são do que as tendências morais da alma, que podem modificar as qualidades do sangue, dando-lhe maior ou menor atividade, provocar secreções ácidas ou hormonais mais ou menos abundantes, ou mesmo perturbar as multiplicações celulares, comprometendo a saúde como um todo. Portanto, as causas das doenças somos nós sobre nós mesmos, e, para que tenhamos equilíbrio fisiológico, é preciso cuidar de nossas atitudes íntimas, conservando a harmonia na alma.
Indulgência se define como sendo a facilidade que se tem para perdoar.
Muitos de nós ficamos constantemente tentando provar que sempre estivemos certos e que tínhamos toda a razão; outros ficam repisando os erros e as faltas alheias. Mas, se quisermos saúde e paz, libertemo-nos desses fardos pesados, que nos impedem de voar mais alto, para as possibilidades do perdão incondicional.
Perdoar não significa esquecer as marcas profundas que nos deixaram, ou mesmo fechar os olhos para a maldade alheia. Perdoar é desenvolver um sentimento profundo de compreensão, por saber que nós e os outros ainda estamos distantes de agir corretamente. Por não estarmos, momentaneamente, em completo contato com a intimidade de nossa criação divina, é que todos nós temos, em várias ocasiões, gestos de irreflexão e ações inadequadas.
Das velhas doenças nos libertaremos quando as velhas recordações do "não-perdão" deixarem de comandar o leme de nossas vidas.
( Francisco do Espírito Santo Neto por Hammed. In: Renovando Atitudes)
domingo, 5 de outubro de 2008
PORQUE, SENHOR?

... E Nicodemos, o grande Nicodemos dos dias primeiros do Evangelho, passou a contar-nos;
- Depois da aparição do Senhor aos quinhentos da Galiléia, certo dia, ao entardecer, detive-me à beira do lago de suas pregações, rogando a Ele me dissipasse as dúvidas. Ante os ensinamentos divinos, eu experimentava o entrechoque em torno das ideias de justiça e misericórdia, responsabilidade e perdão... De que maneira conciliar o bem e o mal? como estabelecer a diferença entre prêmio e castigo? Atormentado, perante as exigências da Lei de que eu era intérprete, supliquei-lhe a palavra e eis que, de súbito, o Excelso Benfeitor apareceu junto de mim... Prostrei-me na areia e Jesus, aproximando-se, tocou-me, de leve, a cabeça fatigada, e inquiriu:
- Nicodemos, que pretendes de mim?
- Senhor – expliquei -, tenho o pensamento em fogo, tentando discernir sobre retidão e delinquência, bondade e correção... Porque te banqueteaste com pecadores e tanta vez te referiste, quase rudemente, aos fariseus, leais seguidores de Moisés? Acaso, estão certas as pessoas de vida impura, e erradas aquelas outras que se mostram fiéis à Lei?
Jesus respondeu com inflexão de brandura inesquecível:
- Nunca disse que os pecadores estão no caminho justo, mas afirmei que não vim ao mundo socorrer os sãos, e sim os enfermos. Quanto aos princípios de santidade, que dizer dos bons que detestam os maus, dos felizes que desprezam os infelizes, se todos somos filhos de Deus? de que serve o tesouro enterrado ou o livro escondido no deserto?
- Messias – prosseguiu -, porque dispensaste tanta atenção a Zaqueu, o rico, a ponto de lhe compartilhares a mesa, sem visitar os lares pobres que lhe circundam a moradia?
- Estive com a multidão, desde as notícias iniciais do novo Reino!... Relativamente a Zaqueu, é ele um rico que desejava instruir-se, e furtar a lição, àqueles amigos a quem o mundo apelida de avaros, é o mesmo que recusar remédio ao doente...
- E as meretrizes, Senhor? porque as defendeste?
- Nicodemos, na hora do Juízo Divino, muitas dessas mesmas desventuradas mulheres, que censuras, ressurgirão do lodo da angústia, limpas e brilhantes, lavadas pelo pranto e pelo suor que derramarem, enquanto que aparecerão pejados de sombra e lama aquelas que lhes prostituíram a existência, depois de lhes abusarem da confiança, lançando-as à condenação e à enfermidades.
- Senhor, ouví dizer que deste a Pedro o papel de condutor dos teus discípulos... Porquê? não é ele o colaborador que te negou três vezes?!
- Exatamente por isso... Na dor do remorso pelas próprias fraquezas, Simão ganhará mais força para ser fiel... Mais que os outros companheiros, ele sabe agora quanto custa o sofrimento da deserção...
- Mestre, e os ladrões do último dia? porque te deixaste imolar entre dois malfeitores? e porque asseguraste a um deles o ingresso no paraíso, junto de ti?
- Como podes julgar apressadamente a tragédia de criaturas cuja história não conheces desde o princípio? Não acaberto os que praticam o mal; no entanto, é preciso saber até que ponto terá alguém resistido à tentação e ao infortúnio para que se transformam em vítimas do próprio desequilíbrio e há empreiteiros da fome que responderão pela crueldade com que sonegam o pão... Com referência ao amigo a quem prometi a entrada imediata na Vida Superior, é verdade que assim o fiz, mas não disse para quê... Ele realmente foi conduzido ao Mundo Maior para ser reeducado e atendido em suas necessidades de erguimento e transformação!...
- Senhor – insistiu -, e a responsabilidade com que nos cabe tratar da justiça? porque pediste perdão ao Todo-Poderoso para os próprios carrascos, quando dependurado na cruz do martírio, inocentando os que te espancavam?
- Não anulei a responsabilidade em tempo algum... Roguei, algemado à cruz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem...” Com isso, não asseverei que os nossos adversários gratuitos estivessem fazendo o que deviam fazer... Esclareci, tão-só, que eles não sabiam o que estavam fazendo e, por isso mesmo, se revelavam dignos da maior compaixão!...
Ante as palavras do Senhor – concluiu o antido mestre de Israel -, as lágrimas me subiram das entranhas da lama para os olhos... Nada mais ví que não fosse o véu diáfano do pranto, a refletir as sombras que anunciavam a noite... Ainda assim, ouvi, como se o Senhor me falasse lonfe, muito de longe:
- Misericórdia quero, não sacrifício...
Nesse ponto da narrativa, Nicodemos calou-se. A emoção sufocara a voz do grande instrutor, cuja presença nos honrava a mansão espiritual. E, quanto a nós, velhos julgadores do mundo, que o ouvíramos atentos, entramos todos em meditação e silêncio, de vez que ninguém apareceu em nossa tertúlia íntima com bastante disposição para acrescentar palavra.
do Livro: Estante da Vida – Pelo Espírito “Irmão X” - Psicografia Francisco C. Xavier
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"Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro mandamento; Instruí-vos, eis o segundo."